A prévia da inflação oficial (IPCA-15) acelerou em fevereiro, acima do esperado, mas não alterou as projeções do mercado para o acumulado de 2026 nem a expectativa de início do ciclo de corte da taxa Selic em março.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) subiu 0,84% no mês, após alta de 0,2% em janeiro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (27).
No acumulado de 12 meses, a inflação desacelerou de 4,5% para 4,1% — o consenso era de que o IPCA-15 recuaria para a faixa de 3,8%. No ano, a alta é de 1,04%.
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Educação e transportes puxam alta
O principal impacto veio do grupo Educação, que subiu 5,20%, refletindo reajustes anuais de mensalidades escolares. Cursos regulares avançaram 6,18%, com aumentos no ensino médio, fundamental e pré-escola.
Transportes também pressionaram, com alta de 1,72%. As passagens aéreas subiram 11,64%. Combustíveis avançaram 1,38%, com alta de etanol, gasolina e diesel.
Por outro lado, a energia elétrica residencial caiu 1,37%, ajudando a conter o índice. A bandeira tarifária vigente era a verde, sem cobrança adicional.
Alimentação no domicílio teve alta de 0,09%, abaixo da registrada em janeiro. Tomate e carnes subiram, enquanto arroz, frango e frutas recuaram.
Entre as regiões, São Paulo registrou a maior variação, de 1,09%. Recife teve a menor, com 0,35%.
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Para o economista Maykon Douglas, as últimas leituras da inflação trouxeram números mais benignos. “Desconsiderando a alta na educação, que se limita ao mês de fevereiro, podemos dizer que os sinais deste IPCA-15 foram um pouco mais ambíguos”, disse.
Núcleos do IPCA-15 e serviços no radar
Segundo o Broadcast (Estadão), os cálculos do Banco BV mostram que a média dos núcleos — medida que exclui itens mais voláteis para captar a tendência da inflação — segue elevada.
Serviços, que costumam refletir o mercado de trabalho e são mais sensíveis à política monetária, também aceleraram. Já os preços administrados, como energia e combustíveis regulados, mostraram alívio no acumulado em 12 meses.
O Departamento de Pesquisa Econômica (DPEc) do Banco Daycoval avaliou que o resultado veio acima do esperado, principalmente por causa das passagens aéreas. Ainda assim, manteve a projeção de inflação de 3,8% ao fim do ano.
Em relatório enviado ao Monitor do Mercado, a instituição também reforçou a expectativa de início do ciclo de cortes da Selic em março, com redução inicial de 0,25 ponto percentual.
A visão é corroborada pelo economista João Fernandes, da Quantitas. Ao Broadcast, ele calculou que, “nas digitais do Copom, a probabilidade de um corte de 0,25 ponto subiu de 14% para algo entre 23% e 24% agora”. No entanto, o cenário-base da gestora ainda é de um corte inicial de 0,5 p.p. na Selic em março.
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Projeções para 2026 seguem estáveis
Para Guilherme Jung, economista-chefe da Alta Vista Investimentos, o IPCA-15 acima do esperado não altera a tendência de desinflação.
Segundo ele, a surpresa ficou concentrada em itens sazonais, como educação, e em passagens aéreas. Alimentação apresentou comportamento mais contido, e energia elétrica contribuiu para reduzir pressões.
Para a economista-chefe do Banco Inter, Rafaela Vitoria, apesar de surpreender para cima, o IPCA-15 não altera a visão do banco para a taxa Selic. A instituição espera por uma redução de 0,5 p.p. em março, com Selic terminal em 12% em 2026.
“O quadro inflacionário está mais favorável para a política monetária, também com o impacto do front externo sobre o câmbio. Isso permitirá que o Banco Central inicie o ciclo de cortes em março”, afirmou Maykon Douglas.











