O choque geopolítico envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã tem potencial para afetar de forma mais profunda e duradoura o mercado global de petróleo do que o episódio desencadeado em janeiro com a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos EUA — e essa diferença estrutural é exatamente o que o BTG Pactual destaca em seu último relatório publicado nesta segunda-feira (2).
Para o banco, a crise no Oriente Médio pode criar restrições logísticas sistêmicas ao fluxo global de petróleo, enquanto o caso venezuelano, apesar de relevante politicamente, teve impacto mais localizado sobre a oferta.
- Tem precatórios a receber? Saiba que possível sair da fila e transformar em dinheiro já. Clique aqui e simule a venda.
Venezuela foi um choque de regime. O Irã pode ser um choque de circulação global
A captura de Maduro provocou ruptura institucional e incerteza sobre ativos e contratos venezuelanos. Houve impacto regional e ajustes nos fluxos comerciais do país.
Mas o mundo continuou transportando petróleo normalmente.
A infraestrutura global de energia não foi ameaçada. O choque esteve concentrado em um produtor específico.
Já o cenário envolvendo o Irã atinge o centro da engrenagem logística global. Parte relevante do petróleo e do GNL comercializados no mundo atravessa o Estreito de Ormuz — um dos maiores gargalos estratégicos do planeta.
Segundo o BTG, não é preciso destruir plataformas para pressionar preços. Basta comprometer o trânsito de navios, elevar prêmios de seguro e aumentar o risco militar para que a oferta efetiva fique comprimida no curto prazo.
Essa é a diferença entre um evento político localizado e um risco sistêmico.
- Reduza a conta de energia sem obras nem investimentos. Levantamento gratuito mostra quanto você pode economizar no mercado livre de energia
O banco projeta o Brent entre US$ 75 e US$ 80 no cenário-base, com possibilidade de ultrapassar esse patamar se a escalada se prolongar.
Quem realmente ganha se o petróleo for a US$ 80?
Se o Brent sustentar um prêmio geopolítico mais duradouro, a assimetria entre as petrolíferas brasileiras fica evidente.
O BTG mantém a Prio (PRIO3) como Top Pick no setor. O motivo é simples e estratégico: é a empresa com exposição mais “pura” ao preço do petróleo, com 100% da produção concentrada em óleo e menor nível de hedge frente aos pares.
Em um cenário de Brent a US$ 80 por barril, o banco estima que o yield de fluxo de caixa livre para o acionista (FCFE) de 2026 poderia alcançar:
- 27% para Prio
- Cerca de 23% para Brava Energia (BRAV3)
- Aproximadamente 21% para PetroReconcavo (RECV3)
- 13% para Petrobras (PETR3; PETR4)
A diferença está na sensibilidade.
A Petrobras, apesar da escala, destina parte relevante da produção ao refino. Como o repasse de combustíveis tende a ocorrer com defasagem, a captura do movimento imediato do Brent é menor.
- Seu investimento está REALMENTE protegido pelo FGC? Entenda de uma vez por todas aqui.
A Brava possui estruturas de hedge (collar) que limitam parte do upside.
A PetroReconcavo tem exposição relevante ao gás natural, reduzindo a correlação direta com o petróleo.
Na prática, se o prêmio geopolítico persistir, a Prio é, na visão do BTG, a alavancagem mais direta ao movimento.