A Cyrela (CYRE3) registrou lucro líquido de R$ 682 milhões no quarto trimestre de 2025, avanço de 37% em relação ao mesmo período de 2024, segundo balanço trimestral divulgado nesta quinta-feira (19).
O desempenho foi impulsionado por lançamentos e vendas de imóveis ao longo do ano, além da expansão das operações de crédito imobiliário por meio da subsidiária CashMe. A receita líquida somou R$ 3,235 bilhões, crescimento de 29% na comparação anual.
A margem bruta, que mede a rentabilidade das vendas após os custos de construção, atingiu 32,3% no trimestre, alta de 0,3 ponto porcentual (p.p.) em um ano. A companhia informou que a margem poderia chegar a 34% sem o impacto da venda de unidades com menor rentabilidade, como estúdios e lojas comerciais.
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As despesas comerciais totalizaram R$ 274 milhões, aumento de 46% na comparação anual. Já as despesas gerais e administrativas somaram R$ 140 milhões, alta de 16%. A linha de equivalência patrimonial — que reflete resultados de projetos realizados em parceria — gerou ganho de R$ 164 milhões, crescimento de 11% em um ano.
O resultado financeiro, que corresponde à diferença entre receitas e despesas financeiras, foi positivo em R$ 66 milhões, alta de 295%, impulsionado principalmente pelas operações da CashMe.
A Cyrela registrou consumo de caixa de R$ 38 milhões no trimestre. A dívida líquida contábil subiu para R$ 1,6 bilhão, ante R$ 256 milhões no terceiro trimestre.
Já a dívida líquida ajustada atingiu R$ 2,316 bilhões. Com isso, a alavancagem passou de 8,2% para 21,5% no período.
Resultado da Cyrela em 2025
Em 2025, a companhia reportou lucro líquido de R$ 2,007 bilhões, alta de 22% em relação a 2024. A receita líquida foi de R$ 9,423 bilhões, crescimento de 18%.
Os lançamentos totalizaram R$ 12,9 bilhões no ano, avanço de 32%, enquanto as vendas líquidas somaram R$ 9,2 bilhões, estáveis na comparação anual.
Análises sobre balanço
O Citi avaliou que os resultados ficaram acima das projeções, impulsionados por receita de R$ 3,2 bilhões, cerca de 27% superior ao estimado.
Segundo o banco, houve concentração de reconhecimento de receitas no trimestre. Esse conceito refere-se ao momento em que a empresa registra contabilmente a receita de vendas já realizadas.
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A margem bruta ajustada ficou abaixo das expectativas, impactada por cerca de 180 pontos-base devido ao mix de produtos. Ainda assim, o banco aponta que a receita mais forte compensou a pressão nas margens, elevando o lucro acima das projeções.
O Citi não espera manutenção desse nível de receita, por considerar o efeito pontual, e não prevê revisões nas estimativas de lucro para o ano.
Já o BTG Pactual classificou o resultado como alinhado às estimativas, com destaque para a receita e o lucro por ação de R$ 1,55. O banco ressaltou uma mudança no reconhecimento de receitas. Antes, a Cyrela iniciava o registro apenas após seis meses do lançamento ou quando 50% das unidades eram vendidas. A companhia passou a reconhecer receitas assim que decide seguir com o projeto.
Essa alteração gerou impacto relevante em empreendimentos como Epic e Vista Milano, além de projetos lançados no próprio trimestre.
Na geração de caixa, a empresa reportou fluxo de caixa livre de R$ 74 milhões, acima da estimativa do banco. O resultado foi favorecido pela antecipação de cerca de R$ 240 milhões em dividendos de coligadas.
A Cyrela também anunciou R$ 1,4 bilhão em dividendos no período, o que contribuiu para a elevação da dívida líquida.
Por fim, o Goldman Sachs classificou os resultados como mistos, com receitas acima do esperado, mas margens abaixo das projeções. A rentabilidade foi impactada pelo reconhecimento de receitas de estúdios e unidades comerciais, que possuem margens menores. Segundo o banco, esse efeito reduziu a margem em cerca de 180 pontos-base.
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As despesas também vieram acima do esperado, com destaque para maiores gastos com vendas e indenizações.











