A ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta terça-feira (24), reforçou que o ciclo de cortes da taxa Selic será conduzido com cautela e dependerá da evolução do cenário econômico, especialmente diante da incerteza gerada pelos conflitos no Oriente Médio.
Na última quarta-feira (18), o Banco Central reduziu a Selic de 15% para 14,75% ao ano, o primeiro corte desde maio de 2024, mas evitou indicar o ritmo das próximas decisões.
Entre os motivos, o Copom destacou que os conflitos no Oriente Médio elevaram a incerteza e pressionaram as expectativas de inflação. Segundo o comitê, esse ambiente dificulta a identificação de tendências claras para a economia.
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A inflação projetada segue acima da meta de 3%. O Banco Central estima alta de 3,9% para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026 e de 3,3% no terceiro trimestre de 2027.
Em nota enviada ao Monitor do Mercado, André Matos, CEO da MA7 Negócios, afirma que o cenário externo limita cortes mais rápidos. “O ciclo de queda está aberto, mas o choque de energia e a incerteza global podem fazer o Banco Central avançar com mais cautela para evitar que expectativas voltem a desancorar”, disse.
Analistas veem ciclo gradual após ata do Copom
A ata indica que a política monetária seguirá em nível contracionista, ou seja, com juros elevados para conter a inflação. O Copom afirmou que, em um ambiente de expectativas desancoradas, é necessário manter juros mais altos por mais tempo.
Para Peterson Rizzo, gerente de RI da Multiplike, a ata indica um início de ciclo com restrições. “O Comitê reconhece que a inflação começou a perder força, mas destaca que as expectativas seguem acima da meta, o que exige cuidado adicional”, afirmou.
João Kepler, CEO da Equity Group, também associou o cenário à instabilidade global. “A ata mostra um Banco Central que inicia o ajuste, mas preserva flexibilidade num ambiente mais volátil”, disse.
O analista da Ouro Preto Investimentos, Sidney Lima, relacionou o cenário atual ao mercado de ações. “O início do corte não elimina o nível elevado de juros, nem reduz a sensibilidade dos ativos ao cenário externo”, afirmou.
“Empresas ligadas a commodities tendem a capturar parte desse movimento, enquanto setores mais dependentes de crédito e consumo seguem mais sensíveis ao custo financeiro. Ao mesmo tempo, o Ibovespa passa a reagir de forma mais técnica, equilibrando o alívio doméstico com o risco global”, completou Lima.
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Queda da Selic reduz custo de dívidas
A redução da Selic também impacta o custo de dívidas tributárias. Isso ocorre porque a taxa é usada para corrigir débitos fiscais.
Segundo o advogado tributarista Caio Schunck, do Zürcher, Caiafa, Spolidoro e Schunck Advogados, a redução dos juros no Brasil proporciona um certo alívio no custo financeiro associado aos débitos tributários.
“Como a Selic é utilizada para atualizar essas dívidas, a queda tende a reduzir o ritmo de crescimento desses encargos ao longo do tempo. Isso pode aliviar parcialmente o custo financeiro para empresas que têm passivos tributários relevantes”, afirma.




