A Boa Safra (SOJA3), produtora brasileira de sementes de soja, registrou prejuízo líquido de R$ 8,4 milhões no quarto trimestre de 2025, revertendo o lucro de R$ 80,3 milhões apurado no mesmo período do ano anterior.
O desempenho foi impactado por excesso de oferta no setor, pressão sobre preços e aumento das perdas no processo produtivo, segundo balanço trimestral divulgado após o fechamento desta terça-feira (25).
A receita líquida cresceu 29% no trimestre, para R$ 1,235 bilhão, impulsionada pelo maior volume de vendas de sementes de soja. O lucro bruto somou R$ 62,3 milhões, queda de 47%, com margem bruta de 5%, ante 12% no quarto trimestre de 2024.
- Está com dúvidas sobre suas finanças? Fale agora com a Clara, a assistente virtual do Monitor do Mercado. Iniciar conversa
O Ebitda ajustado (mede o resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização) caiu 55%, para R$ 58,5 milhões. A margem Ebitda recuou de 14% para 5% na comparação anual.
Segundo a companhia, a deterioração das margens reflete a combinação de menor preço médio das sementes, maior participação das vendas na modalidade CIF — em que a empresa arca com o frete até o cliente — e aumento do descarte por questões de qualidade.
O índice médio de perdas atingiu 15% no ciclo, acima do patamar histórico de 10%, reduzindo o volume disponível para comercialização.
Participação de mercado atinge nível histórico
Apesar da pressão sobre a rentabilidade, a Boa Safra ampliou sua presença no mercado. As vendas de sementes de soja somaram 215 mil big bags em 2025, alta de 34% em relação ao ano anterior.
Com isso, a participação de mercado subiu de 8% para 10%, atingindo o maior nível da história da companhia.
Lucro da Boa Safra recua 37% em 2025
Em 2025, a Boa Safra registrou lucro líquido de R$ 101,1 milhões, queda de 37% em relação a 2024. A receita líquida avançou 42%, para R$ 2,622 bilhões, enquanto o Ebitda ajustado caiu 16%, para R$ 154,1 milhões.
A margem Ebitda recuou de 10% para 6% no período. O lucro bruto anual somou R$ 269,9 milhões, alta de 12%.
No segmento de novas culturas e serviços, a receita operacional bruta cresceu 88%, para R$ 292 milhões, passando a representar 13% do total.
- A informação que os grandes investidores usam – no seu WhatsApp! Entre agora e receba análises, notícias e recomendações.
A empresa encerrou o ano com R$ 1,1 bilhão em caixa e aplicações financeiras e dívida bruta de R$ 1,3 bilhão, resultando em dívida líquida de R$ 151 milhões. No fim de 2024, a companhia tinha posição de caixa líquido de R$ 171 milhões.
Do total da dívida, 95% estão no longo prazo, com apenas R$ 62 milhões vencendo em até 12 meses.
O capex somou R$ 75 milhões em 2025, abaixo dos R$ 177 milhões registrados em 2024.
Análises: Citi e BTG apontam resultado abaixo das estimativas
O Citi avaliou que os resultados do quarto trimestre ficaram abaixo do esperado. Segundo o banco, o crescimento da receita foi impulsionado pelo maior volume de vendas, mas a queda da margem bruta para 5% refletiu maior competição e preços mais baixos.
O relatório também destacou o impacto do aumento das despesas, principalmente com fretes, sobre o Ebitda ajustado, que ficou em R$ 58 milhões. O lucro líquido ajustado foi negativo em R$ 21 milhões.
O banco manteve recomendação neutra para as ações, com preço-alvo de R$ 10,00, e avalia que o setor de sementes segue pressionado por margens reduzidas dos produtores, crédito restrito e juros elevados.
Já o BTG Pactual destacou uma mudança na estratégia da Boa Safra, que passa a priorizar a rentabilidade em vez da expansão. Nos últimos anos, a companhia ampliou sua capacidade para ganhar participação de mercado, mas os retornos ficaram abaixo do esperado. O retorno sobre o capital investido (ROIC) caiu para 6% em 2025, ante cerca de 30% dois anos antes.
- Os bastidores do mercado direto no seu e-mail! Assine grátis e receba análises que fazem a diferença no seu bolso.
O banco avalia que a empresa deve focar na recomposição das margens, embora considere improvável uma recuperação aos níveis históricos no curto prazo.



