A venda do mineral crisotila, conhecido popularmente como amianto, da Eternit (ETER3) voltou a crescer pela primeira vez desde 2022, quando a fabricante de telhas recuperou as operações da mineradora Sama, subsidiária da companhia, que haviam sido suspensas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A exportação do minério cresceu 1,2% em 2025, atingindo 169 mil toneladas, e sustentou os lucros da Eternit. Segundo o balanço divulgado nesta quarta-feira (25), o amianto é responsável por 60% dos lucros da empresa, embora represente aproximadamente um terço da receita.
O lucro bruto do produto, no entanto, sofreu uma retração de 16,1% em relação a 2024, impactado por um mix de produtos menos favorável e variações cambiais.
Exportação é alternativa à proibição de vendas no Brasil
Em 2017, o STF julgou inconstitucional o artigo da Lei Federal nº 9.055/1995, que proibiu a extração, industrialização, comercialização e distribuição do amianto (crisotila) no Brasil. Como consequência, a Eternit entrou em recuperação judicial (RJ) no ano seguinte e as atividades da Sama foram suspensas em 2019.
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Impactada pela decisão, a mineradora viu seu volume de vendas cair de 119 mil toneladas em 2018 para 18,7 mil toneladas em 2019, que correspondeu à comercialização de estoques que já haviam sido extraídos antes da paralisação.
Também em 2019, o Estado de Goiás sancionou a Lei Estadual nº 20.514/2019, que autorizou a extração de amianto exclusivamente para exportação. A brecha permitiu que a Sama voltasse a operar a partir de 2020.
Dois anos depois, em 2022, as vendas da Eternit atingiram seu pico, chegando a 194,1 mil toneladas, crescimento anual de 23%. As expectativas para 2023 também eram de recorde, mas fatores operacionais, como pausa para manutenção e chuvas intensas, fizeram o volume anual recuar 3%, para 188,8 mil toneladas.
No relatório de 2024, a fabricante de telhas relatou a saída da RJ, apesar de registrar problemas operacionais na linha de beneficiamento, que limitaram a disponibilidade de produto e causaram uma queda de 11,6% na venda do minério. A retomada das vendas ocorreu em 2025 (confira o desempenho na tabela abaixo).

Lei define fim da exploração de amianto
Em agosto de 2024, foi sancionada a Lei do Estado de Goiás nº 22.932, que estabeleceu prazo de cinco anos para o encerramento definitivo da extração de amianto a partir da assinatura do Termo de Compromisso de Cumprimento de Obrigações.
Como o prazo começa a contar apenas a partir do entendimento corrente, entende-se que a operação deve se encerrar em 2029. No entanto, em mais de um ano de vigor da lei, a Eternit ainda não formalizou a assinatura desse termo com o governo.
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Impactos à saúde explicam restrições
A polêmica envolvendo o amianto, material usado historicamente pela indústria devido à resistência térmica e mecânica, é justificada por estudos que indicam riscos à saúde — que levaram à sua proibição em diversos países.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a exposição às fibras ocorre principalmente por inalação, podendo causar doenças pulmonares e câncer. Entre os principais efeitos estão:
- Asbestose, que reduz a capacidade respiratória;
- Câncer de pulmão;
- Mesotelioma, tumor raro que afeta tecidos internos.
Balanço da Eternit
A Eternit (ETER3) terminou 2025 com lucro líquido de R$ 48,9 milhões, avanço de 26,2% em relação a 2024. A receita líquida total somou R$ 1,15 bilhão, praticamente estável no comparativo anual, com crescimento de 0,6%.
O desempenho foi influenciado por um cenário macroeconômico mais restritivo, com juros elevados, inflação persistente e desaceleração da atividade econômica, fatores que afetaram a demanda por materiais de construção.
O EBITDA recorrente (mede o resultado operacional sem efeitos extraordinários) totalizou R$ 71,2 milhões em 2025, queda de 16,6%. Por outro lado, o EBITDA reportado somou R$ 112,5 milhões, alta de 20,6%, impulsionado principalmente pelo reconhecimento de créditos tributários.
A receita líquida no mercado doméstico atingiu R$ 777,2 milhões em 2025, alta de 2,5% na comparação anual. O crescimento foi impulsionado por mudanças no mix de produtos, com maior participação da construção industrializada e bom desempenho das telhas de fibrocimento.
No mercado externo, a receita líquida totalizou R$ 373,0 milhões, queda de 3,1% no ano. Segundo a companhia, o resultado reflete preços internacionais mais baixos e efeitos cambiais desfavoráveis.
As despesas com vendas totalizaram R$ 114,5 milhões em 2025, aumento de 2,5% em relação a 2024. O crescimento foi influenciado por maiores despesas variáveis, que avançaram acima da receita.
Já as despesas gerais e administrativas somaram R$ 97,1 milhões, alta de 5,4%, refletindo reestruturação organizacional e aumento de gastos com serviços e pessoal.
Ao final de 2025, a dívida líquida da Eternit era de R$ 111,8 milhões, praticamente estável na comparação anual. A relação dívida líquida/EBITDA recorrente ficou em 1,62 vez, indicador usado para medir o nível de alavancagem da empresa.











