A Taurus (TASA4) registrou um prejuízo líquido de R$ 65,6 milhões no quarto trimestre de 2025, revertendo o lucro na comparação anual. A culpa, na visão do CEO, Salesio Nuhs, é do “kit de maldade” do qual a empresa teria sido alvo. Mas sua perspectiva para 2026 é positiva.
Em entrevista exclusiva ao Monitor do Mercado, Nuhs classificou o resultado do último trimestre como benéfico, visto que a companhia passou por um “teste de estresse extremo” para mitigar os impactos do tarifaço de Donald Trump.
Entre as medidas adotadas para sobreviver, a Taurus transferiu linhas de montagem para os Estados Unidos (seu principal mercado), passando a pagar impostos sobre peças individuais em vez de armas prontas, que possuem valor tributável maior.
Apesar do prejuízo, as margens brutas — que medem a rentabilidade do produto após descontar os custos de produção — da companhia ficaram acima da expectativa (34,3%). “Todo trimestre nós comparamos os resultados com nossas concorrentes norte-americanas listadas em Bolsa e no quarto trimestre superamos todas, mesmo com o efeito das tarifas”, afirmou.
Nuhs se refere a Ruger (NYSE: RGR) e a Smith & Wesson (SWBI), que encerraram o trimestre com margens na casa de 14,9% e 26,4%, respectivamente.
Taurus busca reduzir dívida em 2026
Questionado pelo Monitor do Mercado sobre como a companhia pretende lidar com o faturamento em queda e as despesas em alta, Nuhs afirmou que um dos gatilhos para gerar valor em 2026 é a decisão da Suprema Corte dos EUA, que permitirá o reembolso de US$ 18 milhões pagos em tarifas consideradas ilegais.
“Nós ainda estamos discutindo se entraremos na esfera administrativa ou judicial para reaver esse valor. Mas a nossa vantagem em relação a outras empresas é que só exportamos para uma empresa [a própria Taurus]. Então é mais fácil de comprovar a arrecadação”, disse.
O retorno desses recursos deve reforçar o caixa e ajudar a reduzir a alavancagem financeira da Taurus. O indicador encerrou 2025 em 5,4 vezes, mas a meta da gestão é baixá-lo para a faixa de 2 a 2,5 vezes até o fim de 2026.
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A “guerra acabou” para a Taurus
Com a taxação imposta por Trump, a Taurus chegou a ser afetada com uma alíquota de 50% em agosto do ano passado. O “kit de maldade” classificado por Nuhs ainda contou ao longo do ano com a desvalorização do dólar.
“Não foi só a questão da taxa, mas de tudo que você precisa fazer para fugir da taxação. A diretoria executiva tomou decisões estratégicas rápidas e por isso considero o resultado como positivo”, completou.
Agora, o desempenho da empresa em 2026 deve ser uma extensão operacional do quarto trimestre, mas livre dos “pênaltis” financeiros e tributários enfrentados no último ano.
A expectativa para o Brasil é ainda mais positiva, à medida que a receita da Taurus cresceu 43,8% no quarto trimestre.
“Ainda existe uma dificuldade por falta de decretos e regulamentações, mas se nada de anormal acontecer [fatores externos], eu diria que 2026 vai ser uma consequência do quarto trimestre”, avaliou.
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Expansão global
Além da normalização no mercado norte-americano, a Taurus aposta na diversificação geográfica para crescer. A empresa está em estágio avançado para a aquisição da MERTSAV, na Turquia, o que deve acelerar sua entrada no segmento de defesa e reposição de estoques militares globais.
Na Índia, Nuhs comentou que “a Taurus começou a colher frutos de licitações plantadas há três anos”, com contratos recentes para o fornecimento de 12 mil pistolas TS9 para forças policiais.







