A Páscoa segue pressionando o bolso do consumidor brasileiro, mesmo com os preços subindo menos em 2026. Levantamento da Rico mostra que a chamada “cesta de Páscoa” subiu 50,75% entre 2021 e 2025, acima dos 33,13% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no período.
Os dados indicam que itens tradicionais da data, como chocolates, bombons, açúcar e azeite, tiveram alta mais intensa que a média da economia.
O preço do chocolate ficou mais amargo no período; considerando a categoria em barra e bombons, a alta é de 78,44% em cinco anos e de 24,77% nos últimos 12 meses. Já a categoria chocolate e achocolatado em pó sobe 85,10% em cinco anos e 19,06% no último ano.
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Segundo Maria Giulia Figueiredo, analista de research da Rico, mesmo com a queda recente das cotações internacionais do cacau em 2025, o repasse ao consumidor ainda não ocorreu integralmente. “A indústria trabalha com defasagem no repasse de custos”, explicou.
Isso significa que os preços atuais ainda refletem insumos adquiridos em períodos de custo mais elevado, além de fatores como logística e embalagens.
Confira o comparativo dos últimos anos:
| Categorias | Acumulado em 5 anos (jan/21 a dez/25) | Acumulado em 12 meses (fev/25 a jan/26) |
| IPCA | 33,13% | 4,44% |
| Cesta de Páscoa | 50,75% | 2,51% |
| Açúcar cristal | 34% | -10,74% |
| Açúcar refinado | 57,51% | -4,76% |
| Azeite de oliva | 51,56% | -22,76% |
| Balas | 43,46% | 4,42% |
| Biscoito | 44,09% | 8,01% |
| Chocolate e achocolatado em pó | 85,10% | 19,06% |
| Chocolate em barra e bombom | 78,44% | 24,77% |
| Frutas | 55,98% | 0,73% |
| Leite condensado | 35,60% | 2,67% |
| Manteiga | 32,77% | -5,53% |
| Pescados | 9,29% | -0,53% |
Alta na Páscoa perdeu força no curto prazo
Apesar da pressão no período mais longo, o cenário recente aponta desaceleração. Nos 12 meses até janeiro de 2026, a cesta de Páscoa subiu 2,51%, abaixo do IPCA de 4,44%.
Segundo Maria Giulia, o movimento reflete fatores macroeconômicos. “Esse movimento tem relação com a política monetária restritiva, com a taxa de juros em 15%, além da apreciação cambial observada desde o ano passado e da maior oferta global de alguns alimentos”, afirmou.
A política monetária restritiva ocorre quando o Banco Central mantém juros elevados para conter a inflação, reduzindo o consumo e a pressão sobre preços.
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Açúcar ajudou a puxar preços na Páscoa
O açúcar foi um dos principais responsáveis pela alta da cesta ao longo dos últimos anos. O açúcar refinado subiu 57,51% entre 2021 e 2025, enquanto o cristal avançou 34%.
“A combinação de fatores climáticos, logísticos e estruturais afetou a oferta global e pressionou as cotações”, afirmou a analista.
Nos últimos 12 meses, porém, houve queda nos preços, com recuo de 4,76% no açúcar refinado e de 10,74% no cristal, influenciada pela melhora da oferta global.
Azeite recua, mas segue caro
O azeite de oliva apresentou um dos movimentos mais relevantes no período recente, com queda de 22,76% nos últimos 12 meses, após forte alta acumulada de 51,56% em cinco anos.
De acordo com Maria Giulia, a retração está ligada à recuperação da produção europeia, principal região produtora. “A safra melhorou e houve aumento da oferta, o que abriu espaço para queda nos preços”, disse.
Apesar disso, o produto ainda mantém preços elevados em relação ao histórico recente.
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Sazonalidade influencia preços
Além dos fatores macroeconômicos, a sazonalidade também impacta os preços. A demanda por chocolates e produtos típicos cresce nos meses que antecedem a Páscoa, o que pressiona valores no varejo.
Esse movimento ocorre pela dinâmica de oferta e demanda: com maior procura e oferta limitada no curto prazo, os preços tendem a subir.
No geral, o levantamento indica um consumo mais seletivo em 2026, com desaceleração da inflação no curto prazo, mas ainda com pressão em itens industriais ligados a insumos e custos de produção.











