O preço dos imóveis residenciais acumula uma alta de quase 20% (19,7%) nos últimos 12 meses, segundo o Índice Geral do Mercado Imobiliário Residencial (IGMI-R), calculado pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) em parceria com o FGV/Ibre.
Na variação mensal, o índice que mede a variação dos preços de vendas de imóveis no país registrou alta de 0,93% em fevereiro. O resultado, no entanto, representa uma desaceleração na comparação com janeiro, quando o avanço foi de 1,27%.
No primeiro bimestre de 2026, a alta acumulada é de 2,21%, o segundo maior índice para o período desde 2016.
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Desempenho regional e capitais
A desaceleração do índice nacional em fevereiro foi influenciada por quatro das dez capitais monitoradas: São Paulo, Recife, Porto Alegre e Brasília. Nestas cidades, o ritmo de reajuste foi menor do que o registrado no mês anterior.
Por outro lado, seis capitais apresentaram aceleração nos preços. Goiânia teve a maior variação mensal, com alta de 2,54%. Salvador (1,65%), Curitiba (1,07%), Rio de Janeiro (0,69%), Fortaleza (0,67%) e Belo Horizonte (0,62%) também registraram aumentos no ritmo de valorização.
Comparação da valorização dos imóveis com custos e inflação
A valorização dos imóveis residenciais supera outros indicadores econômicos no acumulado de 12 meses. Enquanto o IGMI-R subiu 19,70%, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) — que mede a variação dos custos de materiais, serviços e mão de obra na construção — avançou 6,10%.
A diferença também é observada em relação ao IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que é o indicador oficial da inflação no país. O IPCA acumulou 3,81% no mesmo período.
Os dados indicam que a alta nos preços dos imóveis não é apenas um repasse de custos de obra, mas resultado de fatores estruturais como oferta limitada e demanda consistente.
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Mercado de aluguel tem variação distinta
O mercado de locação apresenta um comportamento distinto do segmento de compra e venda. O Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (IVAR), que acompanha os preços de novos contratos de locação, registrou alta de 4,05% em 12 meses.
Segundo os dados, enquanto o preço do ativo (venda) é influenciado por fundamentos de mercado, os aluguéis permanecem condicionados à capacidade de pagamento dos locatários e às condições do mercado de trabalho.
Projeção da Abecip para os imóveis em 2026
As projeções da Abecip indicam que o crédito imobiliário deve crescer cerca de 16% em 2026, refletindo um ambiente ainda favorável para o setor.
O conjunto dos indicadores aponta para um mercado imobiliário em fase de maior maturidade, no qual a valorização dos imóveis se mantém sustentada por fundamentos de oferta e demanda, com menor sensibilidade às pressões de custo.
Nesse contexto, os dados de fevereiro reforçam a continuidade de um ciclo de valorização dos imóveis residenciais no país, mesmo diante de um ambiente macroeconômico ainda desafiador.











