A dívida pública brasileira voltou a ganhar tração em fevereiro e atingiu o maior nível em mais de quatro anos, com a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG), que engloba os compromissos financeiros do Governo Federal, do INSS e dos governos regionais, avançando para 79,2% do Produto Interno Bruto (PIB), o equivalente a R$ 10,2 trilhões, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta terça-feira (31).
O resultado representa alta de 0,5 ponto percentual em relação a janeiro e reforça a trajetória de crescimento do endividamento ao longo dos últimos meses. O patamar atual não era observado desde outubro de 2021 e mantém o indicador mais próximo da marca de 80% do PIB.
A principal pressão veio dos juros que incidem sobre a dívida, que adicionaram 0,7 ponto percentual ao resultado mensal. Também houve impacto da emissão líquida de títulos públicos, com contribuição de 0,1 ponto.
Por outro lado, a valorização do real frente a outras moedas ajudou a conter o avanço ao reduzir a dívida pública em 0,1 ponto percentual. Já o crescimento do PIB nominal, que aumenta a base de comparação, contribuiu para uma queda de 0,3 ponto no indicador.
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A dívida bruta segue em tendência de crescimento desde abril de 2025, quando estava em 75,6% do PIB.
Ao longo do ano passado, o indicador continuou avançando e encerrou 2025 em 78,6% do PIB, mantendo o movimento de elevação nos primeiros meses de 2026.
Dívida pública reflete juros altos e atividade econômica
Em 2026, a dívida bruta avançou 0,6 ponto percentual do PIB.; movimento que é explicado, principalmente, pela incorporação de juros nominais, com impacto de 1,6 ponto percentual.
Outros fatores atuaram no sentido contrário. O crescimento do PIB nominal reduziu a relação dívida/PIB em 0,7 ponto, enquanto a valorização cambial acumulada gerou efeito de -0,3 ponto. Além disso, os resgates líquidos de dívida contribuíram com uma redução adicional de 0,1 ponto.
Dívida líquida atinge maior nível da série histórica
O Banco Central também divulgou que a Dívida Líquida do Setor Público (DLSP), que desconta os ativos do governo das obrigações totais, passou de 65% para 65,5% do PIB entre janeiro e fevereiro, alcançando R$ 8,4 trilhões.
Segundo o chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, esse é o maior patamar da série histórica, iniciada em dezembro de 2001. Importante salientar que o indicador vem renovando máximas nos últimos meses.
O aumento em fevereiro foi puxado principalmente pelos juros nominais, que adicionaram 0,7 ponto percentual, enquanto a valorização cambial de 1,5% no mês contribuiu com mais 0,2 ponto e o déficit primário teve impacto de 0,1 ponto.
Em contrapartida, ajustes relacionados à dívida externa líquida reduziram o indicador em 0,2 ponto percentual. O crescimento do PIB nominal também ajudou a conter a alta, com efeito de -0,2 ponto.
Evolução da dívida líquida no ano
Neste ano, a dívida líquida cresceu 0,3 ponto percentual do PIB, refletindo uma combinação de fatores: os juros nominais tiveram o maior impacto positivo, com 1,2 ponto percentual. A valorização cambial acumulada de 6,4% no período contribuiu com mais 0,7 ponto.
Por outro lado, o superávit primário acumulado reduziu a dívida em 0,7 ponto percentual. O crescimento do PIB nominal fez recuar 0,6 ponto, enquanto outros ajustes da dívida externa líquida retiraram 0,3 ponto do indicador.
Juros elevados ampliam custo da dívida
De acordo com o Banco Central, os juros nominais do setor público somaram R$ 84,2 bilhões em fevereiro de 2026, acima dos R$ 78,3 bilhões registrados no mesmo mês do ano anterior.
Esse aumento está relacionado a três fatores principais: maior nível de endividamento, elevação da taxa básica de juros (Selic) e inflação medida pelo IPCA, que ampliam o custo de carregamento da dívida ao longo do tempo.
Mesmo com menos dias úteis no mês (dois a menos na comparação anual) e com resultado positivo das operações de swap cambial, que geraram ganhos de R$ 8,1 bilhões em fevereiro de 2026, ante R$ 7 bilhões no mesmo mês de 2025, o volume de juros pagos foi maior.
No acumulado em 12 meses, os juros nominais chegaram a R$ 1,03 trilhão, o equivalente a 8,07% do PIB. No mesmo período do ano anterior, esse valor era de R$ 924 bilhões, ou 7,74% do PIB.
Déficit nominal permanece elevado
O resultado nominal do setor público, que inclui o resultado primário e os juros, foi negativo em R$ 100,6 bilhões em fevereiro.
No acumulado de 12 meses, o déficit nominal atingiu R$ 1,08 trilhão, equivalente a 8,48% do PIB, percentual considerado estável em relação ao mês anterior.
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Resultado primário segue negativo
O resultado primário, que considera receitas e despesas do governo antes do pagamento de juros, registrou déficit de R$ 16,4 bilhões em fevereiro, enquanto no mesmo período de 2025, o saldo negativo havia era de R$ 19 bilhões.
Já o desempenho por esfera de governo foi distinto. O Governo Central teve déficit de R$ 29,5 bilhões, enquanto as empresas estatais registraram resultado negativo de R$ 568 milhões. Já os governos regionais apresentaram superávit de R$ 13,7 bilhões.
No acumulado de 12 meses, o setor público consolidado soma déficit primário de R$ 52,8 bilhões, equivalente a 0,41% do PIB, com uma leve melhora em relação ao dado registrado até janeiro.











