O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), encerrou a sessão desta terça-feira (31) em forte alta de 2,71%, aos 187.461,84 pontos, no maior patamar desde o início de março, impulsionado pela redução das tensões no Oriente Médio após indicações de que o Irã estaria disposto a um cessar-fogo.
O desempenho do dia coroou um trimestre amplamente positivo para o mercado doméstico. Nos três primeiros meses do ano, o Ibovespa acumulou valorização de 16,35%, marcando o melhor desempenho trimestral desde o fim de 2020. Considerando apenas os primeiros trimestres, trata-se do resultado mais expressivo desde 1998, evidenciando a retomada do apetite por risco no país.
No pregão, a alta foi disseminada entre os setores de maior peso: as ações da Vale dispararam 3,75%, enquanto os grandes bancos lideraram os ganhos, com destaque para o Itaú, que teve uma valorização 4,52%. Na contramão, os papéis da Petrobras recuaram 1,35% (ON) e 2,01% (PN), pressionados pela queda do petróleo no mercado internacional, enquanto a Prio liderou as perdas do dia, em queda de 8,17%.
Na ponta positiva do índice, nomes ligados ao consumo dispararam, como Natura (+12,99%) e Magazine Luiza (+9,62%), refletindo a melhora das expectativas econômicas.
No câmbio, o dólar teve desvalorização de 1,32% frente ao real, e encerrou o dia negociado abaixo de R$ 5,20, com o aumento das expectativas pelo fim do conflito no Oriente Médio.
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No cenário internacional, os mercados iniciaram o mês de abril em forte alta, impulsionados pela declaração de Donald Trump na noite desta terça-feira (31), de que os Estados Unidos poderão deixar o Irã em “duas semanas, talvez alguns dias a mais”.
Com a expectativa pelo fim iminente da guerra, os preços do Brent chegaram a operar abaixo de US$ 100 por barril na madrugada.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, divulgou no X que o presidente apresentará uma atualização sobre o Irã em um pronunciamento à nação às 22h (horário de Brasília) desta quarta-feira (1º).
Do outro lado, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país não busca a guerra e está disposto a encerrar os combates, desde que haja garantias contra novas agressões. Apesar do tom mais conciliador, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que a troca de mensagens com os Estados Unidos não configura negociações formais.
Ao mesmo tempo, Teerã enfrenta pressão internacional para avançar em uma solução diplomática, com Turquia e Paquistão se oferecendo para mediar as conversas. Em paralelo, a China, em conjunto com o Paquistão, apresentou um plano de cinco pontos que inclui cessar-fogo, retomada do diálogo, proteção da infraestrutura energética e uma estrutura de paz mais ampla sob a carta da ONU.
No Brasil, em meio aos impactos dos conflitos sobre o setor de combustíveis, o governo acelera uma resposta para mitigar os efeitos do choque global do petróleo. Mais de 80% dos estados já sinalizaram adesão a uma proposta de subsídio ao diesel, articulada entre a equipe econômica e o Comsefaz, que prevê um incentivo de R$ 1,20 por litro por dois meses, com custo estimado em R$ 3 bilhões, dividido entre União e estados.
Ainda assim, há resistências: o Rio de Janeiro condiciona sua participação à edição de uma medida provisória, diante do impacto fiscal estimado em R$ 30 milhões mensais, em um cenário de déficit projetado de R$ 19 bilhões para 2026.
Essa pressão já chega ao consumidor:o preço do gás de cozinha importado disparou cerca de 60%, levando o governo a avaliar novos subsídios para conter o avanço. Com cerca de 20% do GLP consumido vindo do exterior, o país fica mais exposto à volatilidade internacional.
Em paralelo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou que a gestão busca evitar repasses ao diesel, atribuindo parte das altas a distorções na cadeia de distribuição.
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Manchetes desta manhã
- Déficit habitacional recua no Brasil pelo 2º ano (Valor)
- PF faz operação sobre venda de decisões do TJ-MA, e 2 desembargadores são afastados (Folha)
- Governo de Mato Grosso colocou R$ 447 milhões em fundo da Reag para obra em eixo estratégico do agro (Estadão)
- Braskem planeja pedir proteção judicial contra credores (O Globo)
- Mega IPO da SpaceX reúne 21 bancos; BTG está na lista (Valor)
Mercado global segue otimista com declaração de Trump
As Bolsas da Europa operam em forte alta com a expectativa de encerramento da guerra no Oriente Médio, que apaziguaram a alta do petróleo durante a madrugada.
Alta das ações de viagens, sensíveis ao preço da commodity, impulsionou outros setores na Europa, com bancos também registrando ganhos.
Na Ásia, os mercados encerraram a primeira sessão de abril em forte alta após a notícia de que os EUA poderão deixar o Irã nas próximas semanas. O maior destaque foi o índice Kospi, da Coreia do Sul, que disparou 8,44% impulsionado pelas compras após fortes perdas em março.
Em Nova York, os índices futuros também avançam com otimismo nesta quarta-feira (1º) após Donald Trump sinalizar o fim iminente da guerra no Oriente Médio.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,71%
- FTSE 100: +1,99%
- CAC 40: +2%
- Nikkei 225: +5,24%
- Hang Seng: +2,04%
- Shanghai SE Comp: +1,46%
- Ouro (abr): +1,48%, a US$ 4.747,8 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): -0,36%, aos 99,603 pontos
- Bitcoin: +1,21% a US$ 68.620,00
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Commodities
- Petróleo: contratos recuam com o otimismo do mercado após Donald Trump indicar que os EUA devem deixar o Irã nas próximas duas a três semanas, reduzindo as preocupações com o conflito. O presidente também afirmou que não seria necessário um acordo formal para encerrar os combates.
As declarações ajudaram a derrubar as cotações do petróleo na madrugada, com o Brent chegando a operar abaixo dos US$ 100 por barril.
Nesta manhã, o Brent/junho cai 1,60%, negociado a US$ 102,31, enquanto o WTI/maio recua 2,01%, a US$ 99,34. - Minério de ferro: fechou em alta de 0,12% na Bolsa de Dalian, na China, cotado a US$118,14/ton. Já o contrato para maio negociado em Singapura teve valorização de 0,64%, a US$106,15/ton.
Os preços dos contratos avançam impulsionados por dados sólidos da indústria chinesa e expectativas de novos estímulos, fortalecendo as perspectivas de demanda após a atividade fabril registrar, em março, o crescimento mais rápido em um ano.
Cenário internacional
Nos EUA, investidores monitoram a criação de vagas no setor privado medida pela ADP, além dos índices PMI industrial divulgados pela S&P Global e pelo Institute for Supply Management, que ajudam a calibrar as expectativas sobre o ritmo da atividade econômica.
Também estão no radar discursos de dirigentes do Federal Reserve (Fed), incluindo Alberto Musalem e Michael Barr, enquanto o Departamento de Energia (DOE) publica os estoques de petróleo ao longo do dia.
No front corporativo, o destaque fica para a OpenAI, que levantou US$ 122 bilhões na maior rodada de investimentos já registrada no setor de tecnologia. A operação eleva o valuation da companhia para cerca de US$ 852 bilhões e reforça as expectativas de uma possível abertura de capital ainda neste ano.
No âmbito da guerra no Oriente Médio, o Irã anunciou que a Guarda Revolucionária pretende atacar grandes empresas americanas que operam na região do Golfo. Entre os alvos estariam gigantes como Microsoft, Google, Apple, Tesla e Boeing, ampliando a percepção de risco no cenário internacional.
Na Europa, os dados mais recentes reforçam um quadro de estagnação. O PMI industrial da zona do euro ficou praticamente estável em março, indicando atividade manufatureira sem tração, enquanto a taxa de desemprego subiu levemente, segundo o Eurostat.
Cenário nacional
No Brasil, a agenda doméstica traz a divulgação do Índice de Confiança Empresarial pela Fundação Getulio Vargas e do fluxo cambial semanal pelo Banco Central do Brasil, em meio a um ambiente ainda sensível ao cenário externo.
Em paralelo, o governo volta a discutir alternativas para enfrentar o elevado endividamento das famílias. A equipe econômica avalia utilizar cerca de R$ 10,5 bilhões em recursos esquecidos em contas bancárias para reforçar programas de renegociação de dívidas, retomando um debate que já gerou atritos com o Banco Central e críticas no campo político.
A proposta, que não avançou em 2024 após questionamentos sobre seu impacto fiscal, ressurge agora com foco social, em linha com iniciativas como o Desenrola, diante do avanço do comprometimento da renda das famílias brasileiras.
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Destaques do mercado corporativo
- Vale: negocia acordo com o governo para concessões ferroviárias, envolvendo pagamento adicional de cerca de R$ 7 bilhões e compromissos de investimento logístico.
- BRB: posterga resultados e prepara aumento de capital, indicando ajustes estratégicos.
- Brookfield: expande atuação imobiliária no Brasil com aquisição de startup residencial.
- Ecorodovias: venceu a disputa pela concessão rodoviária Rota Gerais, realizada na sede da B3, oferecendo desconto de 19% sobre a tarifa máxima de pedágio.
- Bradesco: passou a ser acionista direto da Odontoprev, tornando-se titular de aproximadamente 53,67% do capital social total e votante da companhia.











