A guerra no Oriente Médio e mudanças regulatórias nos Estados Unidos têm reforçado o papel do bitcoin (BTC) no mercado global, tanto como ativo financeiro quanto como ferramenta de preservação e movimentação de capital, segundo a análise de Matt Mena, da equipe de pesquisa da gestora 21Shares.
Em relatório enviado ao Monitor do Mercado, Mena afirma que o comportamento recente do Bitcoin sugere uma mudança de percepção. Em vez de responder apenas à liquidez global, a combinação entre incerteza geopolítica, inflação persistente e maior participação institucional sustentou a demanda por ativos digitais em março.
Ao mesmo tempo, cresce a expectativa pela aprovação do chamado Clarity Act, que pode consolidar a classificação de criptoativos como commodities.
- Seu investimento está REALMENTE protegido pelo FGC? Entenda de uma vez por todas aqui
Bitcoin se fortalece como proteção em crises
O aumento da volatilidade no preço do petróleo, agravado por riscos no Estreito de Ormuz, elevou as expectativas de inflação global. Em cenários assim, ativos de risco tendem a sofrer, mas o comportamento recente do Bitcoin tem seguido outra direção.
Segundo Matt Mena, houve aumento da migração de recursos para carteiras próprias, especialmente em regiões afetadas por conflitos. Esse movimento reforça o uso do Bitcoin como ativo portátil e resistente à censura, facilitando a transferência de capital em situações de crise.
Esse padrão já havia sido observado durante a guerra entre Rússia e Ucrânia, em 2022, e na crise bancária regional dos Estados Unidos, em 2023.
Regulação nos EUA avança, mas depende do Congresso
Em 17 de março, Securities and Exchange Commission e Commodity Futures Trading Commission classificaram conjuntamente 16 criptoativos — incluindo Bitcoin, Ethereum e Solana — como commodities digitais.
A medida, porém, ainda depende da aprovação do Clarity Act para se tornar permanente. Sem a lei, futuras mudanças na liderança regulatória podem reverter a interpretação atual.
O projeto enfrenta incertezas no Senado. Caso não avance até maio, pode ser adiado para depois das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. Ainda assim, o cenário político é considerado favorável, com apoio do presidente Donald Trump e acordos já firmados entre as agências reguladoras.
- Seu dinheiro pode render mais! Receba um plano de investimentos gratuito, criado sob medida para você. [Acesse agora!]
Relação do bitcoin com o ouro indica mudança de percepção
A relação entre Bitcoin e ouro voltou a subir após atingir um piso técnico, indicando possível reposicionamento de investidores.
De acordo com a análise da 21Shares, o movimento não reflete apenas a substituição do ouro como reserva de valor, mas também o reconhecimento do Bitcoin como infraestrutura para movimentação de recursos sem intermediários.
Em cenários de instabilidade, essa função pode ganhar relevância, especialmente quando há restrições nos sistemas financeiros tradicionais.
ETFs sinalizam retorno do capital institucional
Os ETFs de Bitcoin à vista nos Estados Unidos registraram entradas líquidas de cerca de US$ 1,6 bilhão em março, revertendo saídas observadas nos meses anteriores.
Os ativos sob gestão chegaram a US$ 90 bilhões, o equivalente a cerca de 6% do valor de mercado do Bitcoin. O movimento indica retomada do interesse institucional, com investidores buscando exposição regulada ao ativo.
ETFs são fundos negociados em bolsa que replicam o desempenho de um ativo, permitindo acesso indireto ao mercado.











