A produção industrial brasileira avançou 0,9% na passagem de janeiro para fevereiro, após registrar alta de 2,1% no primeiro mês do ano, revela a Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (2).
Com esse resultado o setor acumula crescimento de 3% no primeiro bimestre e sinaliza uma recuperação após as perdas registradas no último trimestre de 2025, quando a produção industrial caiu 0,1% em dezembro, com resultados negativos também em novembro (-1,4%) e outubro (-0,4%).
Na comparação anual, no entanto, houve retração de 0,7%, após leve alta de 0,2% em janeiro, quando o setor interrompeu a sequência negativa.
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André Macedo, gerente da pesquisa, destaca que neste início de ano houve uma retomada da indústria com alcance amplo entre os segmentos.
“Enquanto janeiro foi caracterizado pela retomada da produção, após um dezembro marcado pela maior frequência de férias coletivas e paralisações técnicas, fevereiro se destaca pelo avanço da produção, possivelmente associado a um processo de recomposição de estoques em diferentes setores industriais”, afirmou.
Mesmo com a recuperação recente, a produção industrial ficou 3,2% acima do nível pré-pandemia (fevereiro de 2020) e permanece 14,1% abaixo do recorde alcançado em maio de 2011.
Crescimento atinge maioria dos setores da indústria
O avanço de fevereiro foi disseminado entre as quatro grandes categorias econômicas e em 16 dos 25 ramos analisados. Os principais impulsos vieram de veículos automotores, reboques e carrocerias (+6,6%) e coque, derivados do petróleo e biocombustíveis (+2,5%).
“Nesses setores, as principais pressões positivas vêm de automóveis e autopeças, na indústria automobilística, e derivados do petróleo e álcool etílico, na atividade dos derivados do petróleo e biocombustíveis”, explica André Macedo.
Com isso, o setor automotivo acumula alta de 14,1% no primeiro bimestre de 2026, eliminando a queda de 9,5% registrada nos dois últimos meses de 2025. Já o segmento de petróleo e biocombustíveis, em trajetória positiva pelo terceiro mês seguido, soma expansão de 9,9% no período.
O economista Maykon Douglas também ressalta um movimento mais forte da atividade econômica em 2026, com um crescimento mais disseminado da indústria.
Ele avalia que o índice de difusão, que mede o percentual de setores em alta, atingiu o maior nível desde novembro de 2024, considerando a média em doze meses. No entanto, o setor continua com uma trajetória em “dois trilhos”. No acumulado dos últimos doze meses, a indústria extrativa acumula crescimento de 7,4%, enquanto a indústria de transformação registra queda de 0,9%.
Com base nesse cenário, Douglas prevê que a discrepância se mantenha nos próximos meses.
“O ciclo de cortes da taxa Selic tende a ser mais curto à medida que a guerra no Oriente Médio se prolongar, prejudicando a indústria de transformação. No entanto, o cenário é de impulso positivo para o setor de commodities”, conclui.
Segmentos em queda pressionam resultado
Entre as atividades com desempenho negativo, o maior impacto veio da indústria farmoquímica e farmacêutica, que recuou 5,5% em fevereiro, intensificando a queda de 1,4% observada em janeiro.
Macedo observa que na indústria farmacêutica, caracterizada pela maior volatilidade de seus resultados, esse é o segundo mês consecutivo de queda, influenciado pela elevada base de comparação, em função do avanço de 19% acumulado nos dois últimos meses de 2025.
Também contribuíram para o resultado negativo os setores de produtos químicos (-1,3%) e metalúrgico (-1,7%).
Queda anual reflete diferença de calendário e base elevada
Na comparação com fevereiro de 2025, a produção industrial recuou 0,7%, com desempenho negativo disseminado em 3 das 4 grandes categorias econômicas e 20 dos 25 ramos pesquisados. Também foram observados resultados negativos em 60 dos 80 grupos industriais e em 62,1% dos 789 produtos pesquisados.
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Segundo o IBGE, o resultado foi influenciado por fatores pontuais e estatísticos: “o resultado deste mês foi influenciado não só pelo efeito-calendário, já que fevereiro de 2026 teve dois dias úteis a menos que igual mês do ano anterior, mas também por uma base de comparação mais elevada, visto que o setor industrial cresceu 1,2% em fevereiro de 2025”, aponta o gerente da pesquisa.











