A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 6,405 bilhões em março de 2026, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O resultado foi alcançado com exportações de US$ 31,603 bilhões e importações de US$ 25,199 bilhões.
O desempenho de março ficou abaixo da mediana das estimativas do mercado, que apontava superávit de US$ 7,55 bilhões, segundo a pesquisa Projeções Broadcast. Em fevereiro, o saldo havia sido positivo em US$ 4,208 bilhões.
As exportações cresceram 10% em relação a março de 2025. O principal destaque foi a indústria extrativa, que inclui produtos como minério de ferro e petróleo, com alta de 36,4% e total de US$ 7,359 bilhões.
A agropecuária teve leve alta de 1,1%, somando US$ 8,256 bilhões. Já a indústria de transformação, que reúne bens industrializados como máquinas e veículos, avançou 5,4% e alcançou US$ 15,822 bilhões.
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As importações subiram 20,1% na mesma base de comparação, superando o avanço das exportações. O crescimento foi concentrado na indústria de transformação, que totalizou US$ 23,347 bilhões, com alta de 20,8%.
Também houve aumento nas compras da indústria extrativa, enquanto a agropecuária registrou queda no período.
De janeiro a março de 2026, o Brasil registra superávit de US$ 14,175 bilhões, valor 47,6% superior ao observado no mesmo período do ano passado. As exportações somam US$ 82,338 bilhões, com alta de 7,1%, enquanto as importações chegam a US$ 68,163 bilhões, avanço de 1,3%.
Exportações aos EUA continuam caindo
As vendas brasileiras para os Estados Unidos caíram 9,1% em março, totalizando US$ 2,894 bilhões. As importações também recuaram, em 6,31%, para US$ 3,314 bilhões, o que resultou em déficit de US$ 420 milhões no mês.
Segundo o Mdic, este foi o oitavo recuo consecutivo nas exportações ao mercado norte-americano, após a imposição de tarifas adicionais sobre produtos brasileiros em 2025. Ainda de acordo com o ministério, cerca de 22% das exportações para os EUA permanecem sujeitas a essas tarifas.
Em 2026, as exportações para os EUA caíram 18,7%, enquanto as importações recuaram 11,1%, gerando déficit de US$ 1,388 bilhão.
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China amplia superávit comercial
As exportações para a China cresceram 17,8% em março, somando US$ 10,490 bilhões. As importações também avançaram, com alta de 32,9%, totalizando US$ 6,664 bilhões. Com isso, o Brasil registrou superávit de US$ 3,826 bilhões com o país asiático no mês.
Em 2026, as vendas para a China aumentaram 21,7%, enquanto as importações caíram 6%, resultando em saldo positivo de US$ 5,983 bilhões.
Análise: empresas ampliam participação, mas ritmo desacelera
Para Icaro Moro, gerente nacional de crédito à importação na Axton Global, o comércio exterior brasileiro registrou aumento na participação de empresas em 2025, conforme relatório do MDIC. O número de exportadoras cresceu 3,4%, enquanto as importadoras avançaram 7,6% na comparação com 2024.
Apesar disso, os dados mais recentes indicam desaceleração em 2026. Até a primeira semana de março, a média diária das exportações caiu para US$ 1,461 bilhão, ante US$ 1,511 bilhão em março de 2025. As importações também recuaram levemente, passando de US$ 1,104 bilhão para US$ 1,1 bilhão.
De acordo com o especialista, o cenário internacional mais instável, marcado por tensões geopolíticas e problemas logísticos, tem afetado o fluxo de caixa e a previsibilidade das empresas. Nesse contexto, instrumentos de mitigação de risco ganham relevância.
Um exemplo citado é o seguro de crédito à exportação oferecido por seguradoras como a Sinosure, ligada ao governo chinês. Esse mecanismo permite que exportadores vendam com pagamento a prazo, reduzindo o risco de inadimplência e facilitando as transações.
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Na prática, o modelo possibilita que importadores recebam a mercadoria antes de efetuar o pagamento, o que melhora o fluxo de caixa e reduz a necessidade de crédito bancário. Ao mesmo tempo, garante segurança ao exportador, contribuindo para a continuidade das operações.
Esse tipo de estrutura tende a aumentar a previsibilidade das transações e evitar interrupções nas cadeias de suprimento, fator relevante considerando a importância da China como principal parceiro comercial do Brasil.
Governo projeta superávit de US$ 72,1 bilhões em 2026
O Mdic divulgou sua primeira projeção para a balança comercial em 2026, estimando superávit de US$ 72,1 bilhões. O valor representa crescimento de 5,9% em relação ao resultado de 2025.
A estimativa considera exportações de US$ 364,2 bilhões e importações de US$ 292,1 bilhões. O intervalo projetado pelo governo indica saldo positivo entre US$ 70 bilhões e US$ 90 bilhões ao longo do ano.











