As exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 7,8 bilhões no primeiro trimestre de 2026, uma queda de 18,7% em relação ao mesmo período de 2025. Com o resultado, o país passa a responder por 9,5% das exportações do Brasil, menor nível da série histórica iniciada em 1997.
O “tarifaço” de Donald Trump continua sendo determinante para o desempenho das exportações, especialmente no setor industrial. Atualmente, cerca de 55% dos produtos brasileiros entram no mercado americano com tarifas adicionais.
Os destaques negativos foram na Indústria de transformação (-14,2%) — concentrou US$ 6,6 bilhões e representou quase 85% das exportações —, Indústria extrativa (-39,1%) e Agropecuária (-34,4%).
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Segundo Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil, há possibilidade de reversão da tendência, como indica a desaceleração vista em março, mas condicionada a entendimentos que evitem novas restrições comerciais entre os países.
Apesar disso, levantamento realizado pela Câmara Americana mostra que 86% das empresas demonstram preocupação com o risco de novas barreiras comerciais.
Seguindo o mesmo rumo, as importações que vieram dos EUA somaram US$ 9,2 bilhões no trimestre, queda de 11,1%. A retração foi concentrada principalmente em máquinas e petróleo. Ao excluir esses itens, o fluxo de importações apresenta maior estabilidade.
Março indica desaceleração da queda
Apesar do resultado negativo no trimestre, os dados de março apontam uma desaceleração no ritmo de queda (-9,1%). Entre os dez principais produtos exportados, sete registraram crescimento em março.
Entre os destaques:
- Petróleo bruto: +321%;
- Aeronaves: +85,8%;
- Máquinas elétricas: +73,4%.
Além disso, as exportações de produtos sem sobretaxas cresceram 15,1% no mês. O movimento está parcialmente associado à redução de tarifas após decisão da Suprema Corte dos EUA no final de fevereiro.
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Exportações crescem em outros mercados
O recuo nas vendas para os EUA ocorre em um contexto de crescimento das exportações brasileiras totais, que avançaram 3,5% no trimestre. Também houve expansão das vendas para parceiros relevantes, como China e União Europeia.
A corrente de comércio bilateral — soma de exportações e importações — totalizou US$ 17 bilhões, com queda de 14,8%. Apesar da retração, o país norte-americano permaneceu como o segundo principal parceiro comercial do Brasil.











