O volume de serviços no Brasil avançou 0,1% em fevereiro de 2026 frente a janeiro, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com o resultado, o setor atingiu o maior nível da série histórica. Na comparação com fevereiro de 2025, houve crescimento de 0,5%, marcando o 23º resultado positivo consecutivo.
O desempenho foi influenciado principalmente pelos segmentos de informação e comunicação, que cresceram 1,1%, e transportes, com alta de 0,6%. Serviços prestados às famílias também avançaram 1,4%, contribuindo para a sustentação da atividade.
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Tecnologia e transportes puxam o setor
O segmento de informação e comunicação segue como principal motor do setor, com avanço disseminado em atividades como serviços de tecnologia da informação, hospedagem de dados e desenvolvimento de software.
Já o setor de transportes foi impulsionado pelo transporte rodoviário de cargas, que cresceu 0,9% no mês. Esse indicador mede o volume de serviços prestados pelas empresas, funcionando como um termômetro da atividade econômica.
Por outro lado, serviços profissionais e administrativos recuaram 0,3%, enquanto outros serviços caíram 0,4%, limitando o avanço do índice geral.
Atividade resiliente, mas com riscos
Na avaliação do economista Maykon Douglas, o setor apresentou um desempenho consistente, mesmo com a variação próxima de zero. Segundo ele, o crescimento tem se mostrado mais disseminado entre os segmentos neste início de ano, o que já era esperado pelo mercado.
O economista aponta que o avanço de 1,4% nos serviços prestados às famílias é um sinal relevante para o Produto Interno Bruto (PIB), pois esse segmento tem forte peso na atividade econômica. O chamado “carrego estatístico” — que indica a tendência já contratada para o trimestre — está positivo em cerca de 1,5% para esse grupo.
Apesar disso, ele alerta para riscos no cenário externo. Eventuais impactos da guerra entre Estados Unidos e Irã podem pressionar preços de combustíveis e fertilizantes, afetando principalmente o segmento de transportes.
Ainda assim, a perspectiva é de manutenção do nível de atividade, sustentada pela renda doméstica. Isso tende a manter o setor de serviços com desempenho estável nos próximos meses.
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Serviços às famílias sustentam o PIB
Outras análises de mercado também apontam que o avanço dos serviços prestados às famílias ajuda a compensar a fraqueza em outros segmentos. Esse grupo inclui atividades como restaurantes, hotéis e lazer, diretamente ligadas ao consumo.
Mesmo com a taxa básica de juros elevada, o consumo segue sustentado por fatores como aumento da renda e medidas fiscais, o que contribui para a resiliência da economia no curto prazo.
“A nossa expectativa de que o primeiro trimestre deste ano vai ter um impacto positivo sobre a atividade diante de incentivos, principalmente da valorização do salário mínimo e da isenção do IRPF, parece estar sendo sentida na atividade e deve ser sentida também nos dados de comércio, que serão divulgados amanhã”, disse Antonio Ricciardi, economista do banco Daycoval.
Cenário ainda exige cautela
Apesar do resultado positivo, economistas avaliam que o ritmo do setor indica uma desaceleração gradual da atividade em 2026. Além disso, o comportamento da inflação de serviços ainda não responde de forma consistente à política monetária.
Esse cenário mantém a necessidade de cautela por parte do Banco Central, já que o setor de serviços tem peso relevante na formação da inflação. Ao mesmo tempo, a receita nominal do setor avançou 1,2% no mês e acumula alta de 7,3% em 12 meses, indicando pressão de preços.
Com isso, o desempenho dos serviços segue como peça-chave para entender os próximos passos da economia, especialmente em relação ao crescimento e à trajetória dos juros.











