Localizada na região da Basilicata, Matera é a cidade italiana habitada continuamente há 9 mil anos. Seus famosos “Sassi” (pedras) são antigas habitações trogloditas escavadas diretamente nas encostas calcárias, onde a modernidade e a pré-história coexistem de forma deslumbrante.
Como a cidade italiana habitada há 9 mil anos se estruturou?
A ocupação humana nas cavernas de Matera começou no período Paleolítico, fazendo dela um dos assentamentos mais antigos do mundo. A rocha calcária porosa (tufo) da região permitiu que as primeiras populações escavassem abrigos profundos que ofereciam proteção contra o clima extremo e invasores.
Com o passar dos milênios, essas cavernas simples evoluíram para um complexo sistema urbano. As casas eram construídas umas sobre as outras; o teto de uma habitação frequentemente servia como rua ou piso para a casa de cima, criando uma arquitetura vertical labiríntica única na Itália.

Por que Matera já foi considerada a “Vergonha da Itália”?
Na década de 1950, a cidade atingiu um ponto crítico de superlotação e pobreza. Famílias inteiras viviam nas cavernas sem eletricidade, água encanada ou esgoto, dividindo o espaço com animais domésticos, o que resultou em taxas altíssimas de mortalidade infantil devido à malária e cólera.
A situação sanitária forçou o governo italiano a agir com urgência. A UNESCO, que hoje tomba o local, documenta essa fase como o estopim para a evacuação em massa de cerca de 15.000 moradores para novos bairros habitacionais construídos pelo Estado.
Para planejar uma visita inesquecível à milenar cidade de Matera, na Itália, selecionamos o conteúdo do canal Ya Ferreira. No vídeo a seguir, a viajante detalha visualmente um roteiro de três dias pela região da Basilicata e da Púlia, mostrando a experiência única de se hospedar em casas escavadas na rocha, conhecidas como Sassi:
Como as antigas habitações trogloditas foram modernizadas?
Após décadas de abandono e deterioração, a percepção sobre o valor histórico dos Sassi começou a mudar nos anos 1980. O governo, em parceria com a iniciativa privada, iniciou um ambicioso projeto de revitalização, instalando infraestrutura moderna (água, luz e internet) sem destruir a estética milenar das cavernas.
Para ilustrar o drástico contraste entre o passado de pobreza e a atualidade turística da região, preparamos a comparação abaixo:
| Aspecto Urbano | Sassi de Matera (Anos 1950) | Sassi de Matera (Atualidade) |
| Infraestrutura Básica | Inexistente (ausência de saneamento) | Completa (água, luz e wi-fi) |
| Uso Principal | Moradia de subsistência e estábulos | Hotéis de luxo, galerias de arte e bistrôs |
| Status Nacional | “Vergonha nacional” (pobreza extrema) | Patrimônio Mundial da UNESCO (orgulho) |
O que a literatura arqueológica diz sobre a longevidade da ocupação?
A continuidade ininterrupta da vida em Matera é um fenômeno raro que atrai arqueólogos do mundo inteiro. As escavações revelam camadas de ocupação que vão desde a Idade da Pedra, passando por assentamentos bizantinos com afrescos religiosos escondidos nas rochas, até a ocupação moderna.
Para entender a complexidade deste sítio arqueológico vivo, destacamos os dados fundamentais validados pelo patrimônio italiano:
- Período de Ocupação: Desde o Paleolítico (aprox. 9.000 anos atrás).
- Formação Geológica: Desfiladeiro esculpido pelo rio Gravina (rocha de tufo).
- Título Internacional: Capital Europeia da Cultura em 2019.
Por que Hollywood escolheu Matera como cenário de grandes filmes?
A estética bíblica e intocada dos Sassi transformou a cidade em um dos estúdios a céu aberto mais requisitados da Europa. A arquitetura de pedra calcária se assemelha tanto à antiga Jerusalém que diretores como Mel Gibson e Pier Paolo Pasolini filmaram épicos religiosos inteiramente em suas ruelas.
Hoje, os moradores modernos de Matera vivem em cavernas que abrigam camas de design e banheiras de hidromassagem, provando que a engenharia de adaptação humana não tem limites. É a prova física de que o passado mais distante pode ser o alicerce de um futuro próspero e luxuoso.











