O dólar fechou esta quinta-feira (23) em alta de 0,60%, voltando a R$ 5. Operadores apontam que o movimento foi influenciado pela realização de lucros e pela recomposição de posições defensivas, comum quando há aumento das incertezas no mercado.
A mudança de direção do câmbio foi impulsionada pelo aumento das tensões no Oriente Médio. Investidores reagiram a sinais de fragilidade nas negociações envolvendo Irã e Estados Unidos, além de ameaças de novos ataques entre Irã e Israel.
Dados do Banco Central (BC) mostram saída líquida de US$ 3,988 bilhões no fluxo financeiro em abril até o dia 17. Considerando a entrada de US$ 788 milhões via comércio exterior, o saldo total ficou negativo em US$ 3,2 bilhões.
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As incertezas geopolíticas também impactaram o mercado de petróleo. O barril do tipo Brent subiu 3,1% e fechou a US$ 105,07. Foi a quarta alta consecutiva da commodity, que já acumula valorização de dois dígitos na semana.
Com a alta registrada na sessão, a moeda americana passou a acumular alta de 0,41% na semana. No mês de abril, ainda registra queda de 3,38%.
Real perde força após destaque recente
Pela manhã, o real chegou a se destacar entre moedas emergentes, sendo uma das poucas a se valorizar frente ao dólar. O movimento foi influenciado por rumores de entrada de recursos externos relacionados a uma captação recente do Tesouro Nacional no exterior.
Analistas também destacam que o real vinha sendo beneficiado recentemente pelo cenário de preços elevados do petróleo, o que melhora os termos de troca do Brasil, indicador que mede a relação entre exportações e importações.
Análises: volatilidade e recomposição de posições
Segundo Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, o movimento do mercado ao longo do dia foi influenciado pela piora do cenário externo, com a retomada das tensões entre Irã e Estados Unidos.
Ele afirma que a volatilidade tende a permanecer elevada, com os preços dos ativos reagindo às expectativas sobre o conflito. Quando o mercado avalia maior chance de acordo, há queda do dólar, dos juros e das ações de petroleiras, enquanto outros setores sobem. Já em cenários de prolongamento do conflito, ocorre o movimento inverso, com valorização do dólar, alta das petroleiras e elevação dos juros.
Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, destaca que a valorização do petróleo acima de US$ 100 elevou o prêmio de risco global associado ao Estreito de Ormuz, aumentando preocupações com inflação e impactando expectativas de política monetária.
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Segundo o especialista, houve também alta nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos (Treasuries), o que fortaleceu o dólar globalmente e incentivou a recomposição de posições defensivas.
Dólar sobe no exterior
O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, operou em alta ao longo do dia e subia cerca de 0,20% no fim da tarde, próximo aos 98,8 pontos. Confira o gráfico DXY (em tempo real):
Na semana, o indicador acumula ganho superior a 0,50%, mas ainda apresenta queda de cerca de 1% em abril.











