O setor de educação brasileiro deve apresentar resultados financeiros sólidos no primeiro trimestre de 2026, de acordo com relatório do BTG Pactual divulgado nesta segunda-feira (27). Para o banco, Ânima (ANIM3), Cogna (COGN3) e Vitru (VTRU3) serão os destaques.
Os analistas Samuel Alves, Maria Resende e Marcel Zambello preveem que o período será marcado por crescimento de receita, geração de caixa e continuidade no processo de redução de dívidas. No consolidado do setor, projeta-se uma alta de 11% na receita líquida e um avanço de 12% no lucro líquido na comparação anual.
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Novo marco regulatório e mudanças na captação
O primeiro trimestre deste ano marca o primeiro ciclo de captação de alunos sob as novas regras do governo para o ensino superior. O novo arcabouço regulatório restringiu determinados formatos de cursos online, como licenciaturas e enfermagem.
Essa mudança impacta o mix de captação (distribuição de novos alunos entre diferentes tipos de cursos) de faculdades. Segundo o relatório, os cursos presenciais e o modelo híbrido (que mistura aulas online e físicas) ganham relevância, enquanto os cursos digitais tradicionais apresentam quedas em ritmo de dois dígitos.
Desalavancagem e geração de caixa
O setor de educação possui uma forte sazonalidade no primeiro trimestre. Esse termo refere-se a eventos que se repetem em épocas específicas, como o período de matrículas e rematrículas, que costuma elevar a entrada de recursos nas companhias.
Esse fluxo de caixa deve ser utilizado para a desalavancagem. No mercado financeiro, desalavancagem significa a redução da dívida de uma empresa em relação ao que ela gera de resultado.
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Destaque entre as empresas de educação
A Cogna (COGN3) deve ser um dos maiores destaques do trimestre, com receita estimada em R$ 2 bilhões (+28% a/a). O resultado é impulsionado pela unidade Saber, que se beneficia de receitas do Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD) que haviam sido adiadas do final de 2025 para este início de ano.
Na graduação, a unidade Kroton deve mostrar resiliência no ensino presencial (+14% na captação), compensando a queda de 5% esperada para os cursos online. O lucro líquido ajustado da companhia deve saltar 49%, chegando a R$ 229 milhões.
Para a Ânima (ANIM3), o banco projeta um trimestre de continuidade na melhora operacional e financeira. A expectativa é que a alavancagem recue para 2,4 vezes a relação Dívida Líquida/EBITDA.
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Os resultados devem ser sustentados pela unidade Inspirali, focada em cursos de Medicina, que se beneficia da maturação de novas vagas. A receita líquida deve crescer 7%, atingindo R$ 1,1 bilhão.
Já a YDUQS (YDUQ3) enfrenta um cenário misto. No segmento digital, as matrículas totais apresentaram queda de 37%, o que deve reduzir a receita dessa unidade em 15%. Por outro lado, o modelo híbrido disparou 74% no ciclo de captação.
O segmento Premium, que engloba as marcas IDOMED (medicina) e IBMEC, segue como ponto positivo, com previsão de alta de 13% na receita. O BTG destaca que, apesar dos volumes mais fracos no digital, a disciplina de custos deve manter o EBITDA da companhia resiliente em R$ 526 milhões.











