A prévia da inflação oficial, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15), subiu 0,89% em abril, após alta de 0,44% em março, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou abaixo do piso das estimativas do mercado, que partiam de 0,90%.
Em 12 meses, o índice acumula alta de 4,37%, acima dos 3,90% anteriores. No ano, a inflação soma 2,39%.
Segundo a avaliação da Capital Economics, apesar da aceleração, o dado não deve impedir um novo corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros pelo Banco Central nesta superquarta (29).
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Alimentos e combustíveis puxam IPCA-15
O principal impacto veio do grupo Alimentação e bebidas, que subiu 1,46% e respondeu por 0,31 ponto percentual do índice. A alimentação no domicílio acelerou para 1,77%, com altas em itens como cenoura, cebola, leite longa vida e tomate.
Transportes tiveram alta de 1,34%, com impacto relevante dos combustíveis. A gasolina subiu 6,23% e foi o maior impacto individual no índice.
O grupo Saúde e cuidados pessoais subiu 0,93%, influenciado por reajustes de medicamentos autorizados a partir de abril. Já Habitação acelerou para 0,42%, com aumento na energia elétrica após reajustes tarifários em algumas regiões.
Entre as capitais, Belém teve a maior alta (1,46%), enquanto Brasília registrou a menor variação (0,41%).
Leitura qualitativa segue pressionada
Apesar do resultado abaixo do esperado, analistas apontam que a composição do índice segue pressionada. Segundo o economista André Valério, do Banco Inter, houve aceleração nos núcleos de inflação, que excluem itens mais voláteis e indicam a tendência de preços.
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Já Leonardo Costa, economista do ASA, afirma que bens industriais e serviços continuam em níveis elevados, o que mantém a inflação corrente pressionada.
Para a Capital Economics, a combinação de inflação ainda acima da meta, mas com sinais moderados nos núcleos, permite ao Copom seguir com cortes graduais na taxa de juros.
A consultoria avalia que os juros reais — ou seja, descontada a inflação — seguem elevados, o que abre espaço para redução adicional da taxa Selic.











