O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) registrou um déficit de R$ 17,1 bilhões em 2025, segundo o Relatório Anual divulgado nesta terça-feira (28), após ano marcado por intervenções recordes no sistema bancário, como o caso do Banco Master.
Mesmo com o déficit, o FGC encerrou 2025 com patrimônio líquido de R$ 123,2 bilhões. A liquidez encerrou o período em R$ 123,4 bilhões em recursos líquidos.
Em novembro do ano passado, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, do Master de Investimento e do Letsbank. Somente para este grupo, o FGC provisionou R$ 40,6 bilhões até dezembro. O pagamento foi destinado a quase 800 mil credores que possuíam investimentos nessas instituições.
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Se somadas as liquidações do início de 2026 (Will Financeira e Banco Pleno) e os gastos com operações de suporte, o custo total estimado para o FGC atinge R$ 57,4 bilhões.
Recomposição do caixa e ajuda dos bancos
Para manter a solidez das reservas após o desembolso bilionário, as instituições financeiras associadas realizaram uma medida excepcional em março de 2026. Elas anteciparam o pagamento de 60 meses de contribuições ordinárias, o que injetou R$ 32,2 bilhões no caixa do Fundo.
Com isso, o patrimônio líquido e a liquidez do FGC atingiram os patamares de R$ 118,5 bilhões e R$ 110,9 bilhões em março, respectivamente. O índice de liquidez na mesma data é de aproximadamente 2% do saldo de elegíveis.
“Em 2025, o FGC completou 30 anos de história e, justamente em seu mês de aniversário, diante da liquidação do Banco Master, recebeu da sociedade brasileira o maior reconhecimento que poderia almejar: a ampla confiança de depositantes e investidores na efetividade da garantia prestada pelo FGC”, disse Daniel Lima, diretor-presidente do FGC, no comunicado.
Outros dados do balanço do FGC
Na comparação com 2024, quando o patrimônio era de R$ 140,4 bilhões e a liquidez de R$ 114,2 bilhões, observa-se também a elevação da reserva FR, que passou de R$ 16,4 bilhões para R$ 27,6 bilhões. A liquidez do Fundo em relação ao total de depósitos elegíveis atingiu 2,23% em 2025, ante 2,26% no ano anterior.
No mesmo período, as contribuições das instituições associadas totalizaram R$ 6,3 bilhões (R$ 5,7 bilhões em 2024) e o resultado financeiro dos investimentos alcançou R$ 21,8 bilhões (R$ 10,8 bilhões em 2024), com rentabilidade correspondente a 99,39% da taxa média Selic (73,89% em 2024).
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Os depósitos elegíveis à garantia somavam R$ 5,53 trilhões ao final de 2025 (R$ 5 trilhões em 2024), dos quais R$ 2,65 trilhões (R$ 2,44 trilhões em 2024) estavam cobertos pelos limites do Fundo, representando 47,93% do total. Em termos de quantidade, 99,65% das contas existentes no sistema estavam integralmente cobertas pela garantia.
Os depósitos a prazo cresceram 11,81% na comparação anual e passaram a representar 58,7% do total dos instrumentos elegíveis à garantia do FGC.
Além da gestão de crises, o FGC investiu em educação financeira em 2025. A entidade apoia programas como o “Aprender Valor”, do Banco Central, que atinge 28 mil escolas, e a Olimpíada do Tesouro Direto (OLITEF), com 1,7 milhão de alunos inscritos.











