A inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) subiu 2,73% em abril, após alta de 0,52% em março, segundo informou a FGV/Ibre nesta quarta-feira (29). Com o resultado, o índice acumula alta de 2,93% no ano e de 0,61% em 12 meses.
Conhecido como “inflação do aluguel”, o IGP-M mede preços no atacado, no consumidor e na construção civil. Por isso, costuma antecipar pressões de custos que podem chegar ao consumidor final.
Segundo Matheus Dias, economista do FGV/Ibre, o avanço do índice reflete impactos do cenário geopolítico, com destaque para o Estreito de Ormuz.
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“Todos os índices registraram influências diretas do conflito geopolítico na região do Estreito de Ormuz, contribuindo, assim, para o avanço do IGP-M. Nos preços ao produtor, o grupo de matérias-primas brutas avançou quase 6%, em decorrência do choque provocado pela guerra”, disse Dias.
Variação do IGP-M por índices
No atacado, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) subiu 3,49%, puxado por matérias-primas brutas, que avançaram 5,78%. O aumento dos combustíveis também influenciou o resultado. A gasolina subiu cerca de 6,3% e o diesel, 14,9%, com efeito direto sobre custos logísticos e produção.
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) avançou 0,94% em abril, com pressão de transportes, alimentação e saúde.
Já o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) subiu 1,04%, refletindo alta em materiais, serviços e mão de obra.
Esses componentes mostram como o aumento de custos se espalha pela economia, atingindo desde a indústria até contratos e serviços.
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Impacto nos juros e no Copom
Para analistas, a aceleração do IGP-M reforça cautela na política monetária. Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, afirma que o dado reduz espaço para cortes mais intensos de juros e indica postura mais conservadora do Copom.
Já Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, avalia que o índice sinaliza maior pressão de custos, o que exige mais rigor na análise de crédito e pode afetar margens das empresas.
O IGP-M tem forte peso no atacado, o que significa que altas tendem a ser repassadas ao consumidor ao longo do tempo. Segundo André Matos, CEO da MA7 Negócios, o índice mostra que o aumento de custos já começa a atingir a economia real, com impacto potencial em fretes, alimentos e produção.











