O mercado de trabalho formal brasileiro abriu 228.208 vagas em março — quase três vezes mais na comparação anual —, segundo dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego nesta quarta-feira (29).
O resultado veio acima das estimativas do mercado, que projetavam abertura de até 220 mil vagas. O saldo é resultado de 2,52 milhões de admissões e 2,29 milhões de desligamentos.
No primeiro trimestre de 2026, o país criou 613.373 vagas formais, resultado 9,1% menor que o registrado no mesmo período de 2025. No acumulado de 12 meses, foram gerados 1,21 milhão de postos, também abaixo do período anterior.
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Segundo o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, o ritmo menor está relacionado ao nível elevado de juros, que afeta a atividade econômica.
Serviços lideram geração de empregos
Quatro dos cinco setores da economia registraram saldo positivo em março, segundo dados do Caged. O setor de serviços liderou, com criação de 152.391 vagas. Na sequência aparecem construção civil (38.316), indústria (28.336) e comércio (27.267).
A agropecuária foi o único segmento com resultado negativo, com fechamento de 18.096 vagas.
O saldo positivo foi registrado em 24 das 27 unidades da federação. São Paulo liderou a geração de empregos, com 67.876 vagas, seguido por Minas Gerais (38.845) e Rio de Janeiro (23.914). Por outro lado, Alagoas, Mato Grosso e Sergipe apresentaram resultados negativos no mês.
O salário médio real de admissão foi de R$ 2.350,83 em março, queda de 0,7% em relação a fevereiro. Na comparação anual, houve aumento de 1,8%, já considerando ajustes sazonais.
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Analistas veem recuperação recente no Caged
Para Leonardo Costa, economista do ASA, o resultado indica aceleração recente do mercado de trabalho, após desaceleração no fim de 2025.
Ele aponta que a média móvel de três meses avançou, indicando melhora no ritmo de contratações. A visão é corroborada por Antonio Ricciardi, economista do Banco Daycoval: “passamos a ter uma média móvel trimestral acima de 100 mil vagas, algo que a gente não observava desde agosto do ano passado. Isso é importante porque mostra alguma recuperação do mercado de trabalho formal brasileiro”.
Apesar do resultado positivo, analistas avaliam que o mercado de trabalho pode perder força ao longo do ano. Entre os fatores estão juros elevados e o cenário externo, incluindo impactos do petróleo sobre a atividade econômica.
A projeção do Banco Daycoval é de criação de cerca de 1,2 milhão de vagas em 2026, com possibilidade de revisão ao longo do ano.











