A Petrobras (PETR3 e PETR4) registrou novo recorde de produção no primeiro trimestre de 2026, com média de 3,23 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed). O resultado mostra uma alta anual de 16,1% e avanço de 3,7% frente ao quarto trimestre de 2025.
Já a produção comercial de óleo e gás (volume efetivamente disponível para venda) somou 2,831 milhões de boed no período, alta de 15,9% em relação ao mesmo período do ano passado e avanço de 3,4% frente ao trimestre anterior.
A produção exclusiva de petróleo alcançou 2,583 milhões de barris por dia, crescimento de 16,3% em relação ao primeiro trimestre de 2025 e de 3,2% na comparação trimestral. O relatório operacional foi divulgado na última quinta-feira (31).
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Segundo a estatal, o resultado foi impulsionado pelo avanço operacional das plataformas P-78, no campo de Búzios (RJ), Alexandre de Gusmão, em Mero (RJ), além das unidades Anna Nery e Anita Garibaldi, nos campos de Marlim (RJ) e Voador (RJ).
A produção de gás natural totalizou 613 mil boed, alta de 16,5% ante o mesmo período de 2025 e avanço de 6,2% frente ao trimestre anterior.
No pré-sal, a produção também bateu recorde, alcançando 2,66 milhões de boed. Já a produção exclusiva de petróleo na camada atingiu 2,189 milhões de barris por dia, alta de 17,8% na comparação anual e de 3,5% frente ao quarto trimestre.
Refino cresce, enquanto vendas sentem efeito sazonal
As vendas de derivados no mercado interno somaram 1,745 milhão de barris por dia no primeiro trimestre, alta de 2,9% em relação ao mesmo período de 2025. Frente ao quarto trimestre, porém, houve recuo de 1,5%, movimento que a companhia atribui à sazonalidade típica do início do ano.
O diesel registrou vendas de 739 mil barris por dia, com avanço anual de 0,7%, mas queda de 6,1% na comparação trimestral. Já a gasolina atingiu 413 mil barris por dia, alta de 3,8% em 12 meses e recuo de 4% frente ao trimestre imediatamente anterior.
Enquanto as vendas perderam ritmo, o refino avançou. A produção total de derivados alcançou 1,816 milhão de barris por dia, crescimento de 6,4% na base anual e de 6,7% frente ao quarto trimestre.
O movimento foi acompanhado pelo aumento do fator de utilização total (FUT), que mede o uso da capacidade instalada das refinarias. O índice subiu 90% no mesmo período do ano passado para 95%.
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Bancos veem espaço para resultado mais forte
A combinação entre aumento da produção, maior utilização das refinarias e preços mais elevados do petróleo no mercado internacional levou bancos e corretoras a revisarem suas expectativas para o balanço da Petrobras.
Na avaliação do Citi, os números operacionais reforçam uma trajetória de maior geração de caixa no trimestre, sustentada principalmente pelo avanço consistente da produção de óleo e gás. Para o banco, a entrada de novas plataformas e poços produtores compensou parcialmente os efeitos naturais de declínio de campos maduros e as paradas operacionais, permitindo que a estatal mantivesse crescimento mesmo em um ambiente operacional desafiador.
Os analistas também destacam a expansão de 47,4% nas exportações, movimento que, combinado à redução de 0,7% nas importações, indica maior eficiência na alocação da produção. Para o Citi, esse cenário aumenta a probabilidade de anúncio de dividendos ordinários superiores aos do trimestre anterior.
A XP adota leitura semelhante, mas chama atenção para fatores externos que podem limitar parte desse avanço. A corretora projeta Ebitda de US$ 12,6 bilhões e lucro líquido de US$ 6,4 bilhões, sustentados principalmente pela valorização do petróleo Brent e pelo aumento da produção.
Por outro lado, a casa pondera que a apreciação do real frente ao dólar pode reduzir ganhos contábeis com exportação, enquanto a deterioração dos crack spreads — que mede a diferença entre o preço do petróleo bruto e o valor dos combustíveis derivados — pressiona as margens de refino. O indicador da gasolina recuou para cerca de US$ 2,1 por barril, enquanto o do diesel caiu para US$ 24,4 por barril, limitando parte do ganho operacional.
O Safra destacou a execução operacional da companhia, classificando a expansão da produção no pré-sal como o principal vetor do trimestre. Para o banco, o crescimento acima das estimativas demonstra capacidade de entrega da Petrobras mesmo em um contexto de maturação gradual dos ativos recém-incorporados.
A instituição também avalia positivamente o avanço do fator de utilização das refinarias para 95%, indicador que sugere maior eficiência industrial e menor necessidade de importação de combustíveis.
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Já o Itaú BBA mantém projeção de Ebitda de US$ 12,5 bilhões, com investimentos estimados em US$ 4,1 bilhões no período. Na leitura do banco, o principal ponto de atenção está na relação entre geração operacional e volume de investimentos.
Caso a Petrobras mantenha disciplina de capital e converta o aumento da produção em fluxo de caixa livre, o espaço para distribuição de proventos tende a crescer. A estimativa do Itaú BBA é de dividendos ordinários próximos de US$ 2,4 bilhões, em linha com a XP.
Ações da Petrobras reagem
Após registrar produção recorde, a estatal avança moderadamente com projeções de balanço mais forte e expectativa de dividendos maiores. Às 13h10 (horário de Brasília), as ações ordinárias (PETR3) operam estáveis, a R$ 54,73, enquanto as preferenciais (PETR4) sobem 0,67%, a R$ 49,41.











