O dólar fechou esta segunda-feira (4) em alta de 0,3% frente ao real, a R$ 5,97. O movimento refletiu o aumento da percepção de risco após relatos de ataques iranianos a instalações petrolíferas dos Emirados Árabes Unidos.
A falta de avanços concretos nas negociações de paz no Oriente Médio, somada ao aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã em torno do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, elevou a cautela dos investidores.
Esse ambiente impulsionou os preços do petróleo. O barril Brent para julho superou os US$ 115 ao longo do pregão e encerrou cotado a US$ 114,44, alta de 5,8%.
Apesar da alta nesta sessão, o dólar mantém trajetória de queda frente ao real em 2026. A moeda americana encerrou abril com perdas acumuladas de 4,3%. Em 2026, a divisa recua mais de 9% em relação à moeda brasileira.
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Real limita perdas diante da alta do petróleo
Apesar da pressão externa, o real apresentou desempenho melhor que o de outras moedas emergentes e de países exportadores de commodities. Analistas atribuem essa resiliência ao fato de o Brasil ser exportador líquido de petróleo.
Na prática, a elevação dos preços melhora os chamados termos de troca, indicador que mede a relação entre preços de exportação e importação de um país.
Selic entra no radar após choque energético
Outro fator de sustentação para a moeda brasileira é a expectativa de menor espaço para cortes adicionais da taxa Selic. Em fala ao Broadcast, o economista-chefe da Análise Econômica, André Galhardo, afirma que o choque energético pode alterar o ritmo da política monetária.
Segundo ele, o Comitê de Política Monetária (Copom) já reconhece riscos inflacionários mais elevados ao avaliar que a economia brasileira opera acima de seu potencial, ou seja, crescendo em ritmo que pode pressionar a inflação.
Com isso, sua expectativa é de que ainda pode haver um ou dois cortes de 0,25 ponto percentual na Selic, mas pondera que o Banco Central (BC) pode optar por interromper temporariamente o processo diante do cenário externo.
Dólar ganha força no exterior
O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, avançou cerca de 0,30%, rondando os 98,400 pontos no fim da tarde. Confira o gráfico DXY (em tempo real):
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O euro e a libra esterlina recuaram mais de 0,20%, pressionados tanto pelo impacto da alta dos preços de energia quanto pela ameaça do presidente Donald Trump de elevar em 25% as tarifas sobre carros e caminhões importados da União Europeia.
A valorização do índice foi parcialmente limitada pela alta da coroa norueguesa, beneficiada pelo petróleo, e pela estabilidade do iene.











