A Movida (MOVI3) registrou lucro líquido de R$ 124,5 milhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 58,7% na comparação com o mesmo período de 2025, segundo balanço trimestral divulgado nesta segunda-feira (4).
O resultado ficou dentro do guidance da companhia, que previa lucro entre R$ 110 milhões e R$ 130 milhões no período.
Segundo a companhia, o desempenho foi sustentado por ganhos operacionais, reajustes de preços e aumento de volume nos negócios de locação de veículos. Em entrevista ao Broadcast, o CEO da Movida, Gustavo Moscatelli, afirmou que os indicadores operacionais registraram recordes, com avanço da rentabilidade.
O EBITDA (indicador que mede o resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização) somou R$ 1,568 bilhão entre janeiro e março, crescimento de 17,2% na comparação anual. A margem Ebitda consolidada atingiu recorde de 41,5%, avanço de 4 pontos porcentuais.
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A receita líquida consolidada totalizou R$ 3,780 bilhões, alta de 6% em relação ao primeiro trimestre de 2025.
O retorno sobre capital investido (ROIC), que mede a eficiência da empresa na geração de retorno sobre os recursos aplicados, alcançou recorde de 16,4% nos últimos 12 meses, avanço de 4 pontos percentuais.
A relação dívida líquida sobre EBITDA encerrou março em 2,65 vezes, menor nível dos últimos cinco anos e recorde de desalavancagem. No mesmo período do ano anterior, o indicador estava em 3,1 vezes.
De acordo com a Movida, considerando o aumento de capital anunciado em março, a alavancagem cairia para cerca de 2,54 vezes em base pro forma. A operação prevê captação entre R$ 500 milhões e R$ 750 milhões, dentro de uma oferta mais ampla do grupo Simpar, com participação da BNDESPar e da controladora JSP Participações.
Segundo Moscatelli, a redução do endividamento segue como prioridade estratégica da companhia, com foco na geração de caixa e desalavancagem orgânica.
Locação impulsiona resultado operacional
No segmento de locação eventual de veículos (Rent-a-Car, ou RAC), a receita líquida alcançou recorde de R$ 1,076 bilhão, alta de 25,2% na comparação anual. A tarifa média diária subiu para R$ 168, avanço de 7% sobre o primeiro trimestre de 2025 — novo recorde operacional.
A taxa de ocupação da frota chegou ao recorde de 77,3%, aumento de 5,6 pontos percentuais, enquanto o volume de diárias cresceu cerca de 18%, também em nível recorde para a operação.
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Na divisão de gestão e terceirização de frotas (GTF), a receita somou R$ 1,102 bilhão, crescimento de 10,9%. A companhia encerrou março com frota total de aproximadamente 267 mil veículos, alta de 4% na comparação anual.
Seminovos da Movida mantém estabilidade
No segmento de venda de seminovos, a Movida comercializou cerca de 20,6 mil veículos no trimestre. A receita da operação foi de R$ 1,575 bilhão, queda de 6,8% em relação ao mesmo período de 2025. A margem Ebitda permaneceu estável em 1,1%.
Segundo a companhia, a área segue desempenhando papel relevante na reciclagem de capital, processo em que a venda de ativos financia a renovação da frota.
Projeções indicam crescimento
A Movida projetou lucro líquido entre R$ 110 milhões e R$ 130 milhões para o segundo trimestre de 2026. A estimativa representa crescimento potencial de até 91% frente ao segundo trimestre de 2025 e supera o consenso de mercado, estimado em R$ 97 milhões.
Para o primeiro semestre, a companhia prevê lucro líquido de R$ 245 milhões, alta de 67% sobre igual intervalo do ano anterior.
Bancos divergem sobre potencial das ações
O Citi reiterou recomendação de compra para as ações, com preço-alvo de R$ 17,40, classificadas pelo banco como investimento de alto risco. Os resultados vieram em linha com as expectativas, com destaque para preços de aluguel acima do previsto e balanço reforçado pelo aumento de capital.
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Já o Safra avaliou o desempenho operacional como consistente, com expansão de margens sustentada pelo avanço dos negócios de locação. Apesar disso, o banco manteve recomendação neutra para os papéis, com preço-alvo de R$ 11,30, citando o ambiente macroeconômico e o nível elevado de juros como fatores de atenção.











