O Grupo Pão de Açúcar (GPA) concluiu nesta terça-feira (5) a renegociação de sua dívida com a adesão de 57% dos credores não operacionais. No total, a companhia estima reduzir o endividamento em mais de R$ 2 bilhões.
Em março, após quatro anos de receita em baixa, o GPA iniciou o processo de reestruturação envolvendo cerca de R$ 4,6 bilhões em dívidas, e agora espera reduzir a pressão de caixa no curto prazo.
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No balanço do quarto trimestre, a companhia informou que possuía R$ 1,7 bilhão em dívidas com vencimento previsto para 2026 e um capital de giro líquido negativo em R$ 1,2 bilhão.
Nesta quarta-feira (6), os papéis PCAR3 sobem 2,21% no primeiro pregão após o anúncio, cotados a R$ 2,78.
A adesão ao plano está condicionada à concessão de novos recursos à companhia. Cada credor deverá aportar pelo menos 20% da sua exposição, por meio de instrumentos como capital de giro ou novas debêntures.
O GPA pretende levantar cerca de R$ 200 milhões adicionais para reforçar a liquidez no curto prazo.
Reestruturação reduz dívida e melhora liquidez
Além da expectativa de reduzir o endividamento quase pela metade, o GPA projeta alívio de caixa superior a R$ 4,5 bilhões nos próximos anos.
A dívida sujeita ao plano deve cair para cerca de R$ 2,1 bilhões, equivalente a aproximadamente 45% do valor original. Mais de 70% dos pagamentos ficarão concentrados a partir de 2031, o que reduz a necessidade de desembolsos no curto prazo.
O plano também prevê prazo médio de 6,4 anos para as obrigações, com custo reduzido para CDI mais 0,5% ao ano.
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Estrutura combina alongamento, conversão e desconto
A reestruturação foi organizada em três frentes. Para credores apoiadores, a companhia estruturou uma emissão de cerca de R$ 2,6 bilhões.
Desse total, R$ 1,5 bilhão será em debêntures, com carência de dois anos e amortização entre 2028 e 2031. Outros R$ 1,1 bilhão correspondem a instrumentos conversíveis em ações, com janelas previstas entre 2027 e 2031.
Já para credores não apoiadores, aproximadamente R$ 2 bilhões foram reestruturados com desconto de 70%, reduzindo o valor para cerca de R$ 600 milhões, com vencimento em 2036. Nesse caso, o pagamento de juros começa apenas em 2032.
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GPA busca alinhar dívida à geração de caixa
Segundo a companhia, a renegociação foi necessária para ajustar o nível de endividamento à capacidade operacional.
A empresa informou que a recuperação extrajudicial foi utilizada como instrumento para reequilibrar a estrutura de capital. O processo ocorreu sem impacto nas operações, com manutenção do funcionamento das lojas e das relações com fornecedores.
O plano ainda depende de homologação judicial para entrar em vigor. A companhia informou que o acordo permanece aberto à adesão de outros credores, sem alteração da estrutura já definida.
Com a nova estrutura financeira, o GPA afirma que pretende focar na expansão de margens, crescimento das vendas e gestão dos passivos remanescentes.











