O cenário para fazer negócios no Brasil ficou ainda mais difícil nos últimos meses e o país subiu para a terceira posição no Índice Global de Complexidade Corporativa (GBCI) de 2026. O relatório, elaborado pela TMF Group, analisa 81 jurisdições que representam mais de 90% da economia mundial.
No estudo foram analisados não só países, mas também alguns territórios com leis e regulamentações próprias para a operação de empresas. Para a composição do ranking, 292 indicadores foram levados em consideração; eles abrangem desde regras contábeis e tributárias até legislações trabalhistas e gestão de entidades legais.
O Brasil só consegue ser mais competitivo nesse quesito do que Grécia e México (ranking abaixo). Em 2025, o país ocupava a sexta colocação na lista, indicando que os desafios operacionais aumentaram para os empreendedores e investidores em 2026.

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De acordo com Santiago Ayerza, Country Head da TMF Group no Brasil, mesmo com o país mudando de posição no ranking, é notável a trajetória para caminhos positivos. “Alguns entraves ligados à burocracia interna e mudanças regulatórias resultaram na perda de algumas posições, o que não é totalmente negativo, mas sim um indicativo de que a nação vem implementando transformações às quais o mercado ainda está se ajustando”, afirmou o executivo.
Os motivos da alta complexidade no Brasil
O principal fator para a posição brasileira é a elevada complexidade estrutural. O país possui um sistema tributário considerado multifacetado, o que exige das organizações um esforço administrativo desproporcional para garantir a conformidade.
Essa dificuldade é ampliada pela falta de alinhamento entre as esferas de governo. Atualmente, as empresas precisam lidar com regras distintas e, muitas vezes, contraditórias nos níveis federal, estadual e municipal, segundo a TMF. Essa fragmentação gera entraves que atrasam processos fundamentais, como a abertura de novos CNPJs, registros oficiais e a obtenção de licenciamentos operacionais.
O impacto da reforma tributária no curto prazo
Embora o objetivo da reforma tributária seja a simplificação a longo prazo, sua implementação trouxe novas camadas de burocracia no curto prazo. Nos últimos 12 meses, ajustes em regras fiscais e cambiais alteraram o ambiente de negócios, especialmente para empresas estrangeiras.
“Embora necessárias para simplificar processos, essas mudanças [da reforma tributária] acabaram adicionando novas camadas de complexidade. Ainda assim, são esperadas novas alterações ao longo do ano, especialmente em áreas como contabilidade e tributos, mercados de capitais e fundos”, reforçou Ayerza.
Esses entraves regulatórios afetam diretamente etapas críticas do ciclo de vida de uma organização, como a abertura de empresas, registros oficiais e processos de licenciamento.
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Instabilidade política afasta investidores estrangeiros
O relatório aponta a instabilidade política e econômica persistente como um agravante para o investidor estrangeiro — mesmo em meio ao forte fluxo de dinheiro aportado na Bolsa brasileira no primeiro trimestre.
Esse cenário de incerteza obriga as companhias internacionais a realizarem análises de risco mais detalhadas e a adotarem medidas rigorosas de mitigação antes de aportarem capital no país.
Para operar com eficiência, o estudo ressalta que é quase indispensável o apoio de especialistas locais. Sem esse suporte, o risco de erros operacionais e multas por descumprimento de prazos aumenta significativamente em um ambiente em que as exigências de reporte de dados são cada vez mais estritas.
Digitalização como fator de alívio
O relatório, no entanto, aponta a digitalização como um avanço importante para o Brasil. O uso de ferramentas como assinaturas eletrônicas e sistemas de registros digitais está tornando os processos mais ágeis.
Essas tecnologias ajudam a reduzir a carga administrativa e a automatizar tarefas que antes eram manuais e demoradas, aliviando pressões operacionais.
“De forma geral, a digitalização vem trazendo ganhos significativos de eficiência para o ambiente de negócios brasileiro, ao mesmo tempo em que exige das empresas adaptação às novas dinâmicas normativas e operacionais”, acrescentou o executivo.
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Ranking completo com os 81 países analisados
| Posição em 2026 | País | Posição em 2025 |
|---|---|---|
| 1 | Grécia | 1 |
| 2 | México | 3 |
| 3 | Brasil | 6 |
| 4 | França | 2 |
| 5 | Turquia | 4 |
| 6 | Colômbia | 5 |
| 7 | Estado Plurinacional da Bolívia | 8 |
| 8 | Itália | 7 |
| 9 | Argentina | 11 |
| 10 | Peru | 13 |
| 11 | Cazaquistão | 9 |
| 12 | Paraguai | 12 |
| 13 | Índia | 18 |
| 14 | Bélgica | 16 |
| 15 | Indonésia | 14 |
| 16 | Ucrânia | 29 |
| 17 | China Continental | 10 |
| 18 | Emirados Árabes Unidos | 39 |
| 19 | Polônia | 15 |
| 20 | Chile | 20 |
| 21 | Croácia | 19 |
| 22 | Espanha | 17 |
| 23 | Rússia | 28 |
| 24 | Uruguai | 27 |
| 25 | Portugal | 21 |
| 26 | Equador | 30 |
| 27 | República Bolivariana da Venezuela | 22 |
| 28 | Malásia | 25 |
| 29 | Romênia | 24 |
| 30 | Coreia do Sul | 23 |
| 31 | Filipinas | 26 |
| 32 | Eslováquia | 31 |
| 33 | Eslovênia | 33 |
| 34 | Hungria | 32 |
| 35 | Alemanha | 34 |
| 36 | Áustria | 36 |
| 37 | Sérvia | 35 |
| 38 | Egito | 37 |
| 39 | Bulgária | 40 |
| 40 | Arábia Saudita | 38 |
| 41 | Vietnã | 54 |
| 42 | Panamá | 42 |
| 43 | El Salvador | 46 |
| 44 | Catar | 44 |
| 45 | Austrália | 47 |
| 46 | Guatemala | 45 |
| 47 | Singapura | 48 |
| 48 | Suíça | 52 |
| 49 | Luxemburgo | 59 |
| 50 | Taiwan, ROC | 51 |
| 51 | Tailândia | 56 |
| 52 | Nicarágua | 50 |
| 53 | Suécia | 41 |
| 54 | Japão | 43 |
| 55 | República Dominicana | 53 |
| 56 | Finlândia | 55 |
| 57 | Lituânia | Nova |
| 58 | Canadá | 49 |
| 59 | Irlanda | 61 |
| 60 | Israel | 57 |
| 61 | Guernsey | 67 |
| 62 | Noruega | 65 |
| 63 | Costa Rica | 58 |
| 64 | África do Sul | 60 |
| 65 | Honduras | 66 |
| 66 | Letônia | Nova |
| 67 | Ilhas Maurício | 62 |
| 68 | Chipre | 63 |
| 69 | Reino Unido | 68 |
| 70 | Estados Unidos da América | 64 |
| 71 | Jamaica | 73 |
| 72 | Curaçao | 71 |
| 73 | Malta | 69 |
| 74 | Ilhas Virgens Britânicas | 72 |
| 75 | República Tcheca | 70 |
| 76 | Nova Zelândia | 77 |
| 77 | Holanda | 74 |
| 78 | Hong Kong, RAE | 76 |
| 79 | Jersey | 75 |
| 80 | Dinamarca | 78 |
| 81 | Ilhas Cayman | 79 |











