As ações da Dasa (DASA3), listadas fora do Ibovespa, registram alta de mais de 11% e operam entre as maiores altas da Bolsa brasileira (B3), após a companhia reverter prejuízo e lucrar R$ 9 milhões no primeiro trimestre de 2026.
De acordo com o balanço, o resultado reflete a reorganização do portfólio realizada ao longo de 2025, com maior foco no segmento de medicina diagnóstica.
A receita líquida totalizou R$ 2,037 bilhões no primeiro trimestre, alta de 8,6% na comparação anual. Considerando o conceito de “escopo atual”, utilizado pela companhia para excluir efeitos de ativos vendidos e operações descontinuadas, o crescimento foi de 16,2%.
O EBITDA consolidado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) atingiu R$ 573 milhões no trimestre, avanço de 28% em comparação com o primeiro trimestre de 2025. A margem EBITDA avançou 2,7 pontos percentuais (p.p.), enquanto a margem bruta atingiu 33,5%.
A receita bruta avançou 14%, sustentada pelo crescimento das operações B2B, segmento premium e atendimento domiciliar, além do aumento do volume de exames realizados. No período, houve mais de 123 milhões de exames, crescimento de 14,5% na comparação anual. O tíquete médio teve alta de 0,7%.
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A geração operacional de caixa ficou positiva em R$ 21 milhões no período. Já o ciclo de conversão de caixa, indicador que mede o tempo necessário para transformar investimentos em receita, foi reduzido em 11 dias na comparação anual.
O capex (investimentos realizados pela companhia) somou R$ 24 milhões no trimestre, queda de 38,5% na comparação anual. Desse total, R$ 13 milhões foram destinados a tecnologia e digitalização, enquanto R$ 11 milhões foram aplicados em manutenção e expansão operacional.
“Buscamos combinar uma base operacional sólida com evolução tecnológica aplicada de forma pragmática. Estamos avançando em iniciativas de IA no diagnóstico e automação de processos”, afirmou o CEO da Dasa, Rafael Lucchesi.
Dasa reduz dívida e alavancagem
A dívida líquida financeira encerrou março em R$ 5,6 bilhões, queda de 46% em relação ao mesmo período do ano passado. A alavancagem financeira, medida pela relação entre dívida líquida e EBITDA, caiu de 3,6 vezes para 2,9 vezes em um ano. Considerando aquisições a pagar e antecipação de recebíveis, o indicador passou de 4,17 vezes para 2,99 vezes.
Para a Dasa, a redução reflete a evolução operacional, a disciplina na gestão de capital e a simplificação da estrutura após desinvestimentos e desconsolidação de ativos hospitalares.
No conceito de escopo atual, a alavancagem ficou em 3,09 vezes, abaixo das 3,13 vezes registradas no quarto trimestre de 2025.
Indicadores indicam bom desempenho, dizem bancos
O Itaú BBA avaliou que o balanço apresentou melhora sequencial relevante no primeiro trimestre. Segundo os analistas, o crescimento da receita em diagnósticos foi impulsionado principalmente pelo aumento do volume de exames.
Já as operações hospitalares e de oncologia registraram queda de receita bruta, refletindo novas acreditações, aumento de complexidade e o processo de maturação operacional do Hospital da Bahia.
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O Bank of America (BofA) avaliou que a Dasa apresentou desempenho operacional forte no primeiro trimestre, apesar da pressão sobre o caixa. Segundo relatório, a margem EBITDA atingiu 25%, avanço de 1,8 ponto percentual (p.p.) na comparação anual.
O desempenho da divisão de diagnósticos, impulsionado pelo aumento de volumes e pela melhor utilização da capacidade instalada. Na área hospitalar e de oncologia, o crescimento foi favorecido pela maturação de unidades como o Hospital da Bahia e pela taxa de ocupação acima do esperado.
Apesar da melhora operacional, o BofA ressaltou que a queima de caixa de R$ 230 milhões no trimestre elevou a alavancagem para três vezes a relação dívida líquida/EBITDA. Ainda assim, o banco manteve recomendação de compra para as ações da Dasa, com preço-alvo de R$ 6.











