A Americanas (AMER3) informou que recebeu pareceres favoráveis do Ministério Público e do administrador judicial ao pedido de encerramento antecipado da recuperação judicial protocolado pela companhia no fim de março. A varejista afirmou que agora aguarda a decisão da Justiça para concluir a saída do processo recuperacional.
A atualização foi feita durante teleconferência de resultados do primeiro trimestre nesta quinta-feira (14). Segundo o diretor financeiro (CFO), Sebastien Durchon, a empresa “segue caminhando para uma sentença de encerramento da recuperação judicial”.
Entre janeiro e março, a Americanas registrou prejuízo líquido de R$ 329 milhões nas operações continuadas, redução de 34% em relação às perdas de R$ 496 milhões registradas no início do ano passado.
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Americanas amplia receita e aposta em venda de ativos para reduzir dívidas
A receita líquida cresceu 20,2% no trimestre, para R$ 3,1 bilhões. O lucro bruto avançou 16,6%, para R$ 834 milhões. Já o Ebitda (Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) ajustado ficou positivo em R$ 15 milhões, revertendo resultado negativo de R$ 26 milhões apurado um ano antes.
Segundo o presidente da Americanas, Fernando Soares, “a melhora operacional reflete a estratégia de fortalecer as lojas físicas e integrar as vendas digitais à operação das unidades”, disse em entrevista ao Broadcast.
A Americanas também anunciou medidas para reforçar a estrutura de capital e reduzir o endividamento. Entre as operações, estão a venda de 10 lojas deficitárias do Hortifruti Natural da Terra em São Paulo, por R$ 69 milhões, e a alienação da participação na Uni.Co, cuja conclusão deve ocorrer até o fim do segundo trimestre.
Segundo o CFO, caso as operações já estivessem contabilizadas no fechamento de março, a dívida líquida da companhia teria sido reduzida em cerca de 29%, para aproximadamente R$ 535 milhões.
A empresa informou ainda que reduziu o consumo operacional de caixa para R$ 45 milhões nos últimos 12 meses, movimento atribuído a ganhos de eficiência em capital de giro.
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Despesas com fraude contábil seguem impactando resultado
O resultado financeiro da Americanas permaneceu negativo em R$ 131 milhões no trimestre, embora tenha apresentado melhora de 26,8% na comparação anual.
A companhia também registrou despesas de R$ 28 milhões relacionadas às investigações sobre fraudes contábeis reveladas em 2023, acima dos R$ 15 milhões registrados no mesmo período do ano passado.
Mesmo com a redução do prejuízo, a margem bruta da varejista recuou 0,8 ponto porcentual no trimestre, para 27%.
Nova estratégia da companhia impulsiona vendas na Páscoa
A companhia afirmou que o modelo O2O (online to offline), que integra compras digitais às lojas físicas por meio de retirada em loja e entregas feitas pelas unidades, foi um dos principais motores de crescimento no trimestre.
Durante a Páscoa, a Americanas registrou faturamento de R$ 1,1 bilhão, alta de 10% frente ao mesmo período de 2025. As vendas integradas às lojas físicas cresceram quase 50% no trimestre.
Segundo Fernando Soares, a empresa não pretende retomar o modelo tradicional de marketplace com grande quantidade de vendedores, conhecido como “cauda longa”.
A estratégia atual prioriza poucos parceiros com estrutura logística própria e integração às lojas físicas. De acordo com o executivo, a margem do modelo O2O é cerca de três vezes superior à do marketplace tradicional.
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Americanas tenta recuperar cobertura de analistas
Durante a teleconferência, a diretoria também comentou a ausência de cobertura de analistas para o papel da companhia no mercado.
Segundo Fernando Soares, a Americanas trabalha para restabelecer a relação com investidores institucionais e recuperar gradualmente a normalidade operacional e financeira da empresa.
“Estamos à disposição e trabalhando para voltar a uma situação normal também nesta parte”, afirmou o executivo.











