O iFood entrou na Justiça contra a Keeta, braço internacional da chinesa Meituan, acusando a concorrente de concorrência desleal e obtenção de informações estratégicas da companhia. A ação foi protocolada na 1ª Vara Empresarial e de Conflitos Relacionados à Arbitragem da Capital, em São Paulo, nesta terça-feira (19), com pedido de indenização de R$ 1 milhão.
Segundo a Folha de S.Paulo, a empresa brasileira alega que a Keeta teria realizado abordagens ilícitas a funcionários e ex-funcionários do iFood em busca de dados internos, incluindo informações comerciais e operacionais. O processo marca mais um episódio da disputa no mercado brasileiro de delivery, intensificada desde a chegada de novos concorrentes ao país em 2025.
Na ação, o iFood pede que a Justiça reconheça supostas violações à Lei de Propriedade Industrial (LPI), além de determinar que a Meituan e a Keeta deixem de abordar funcionários da companhia para obtenção de dados estratégicos. A empresa também solicita multa diária de R$ 100 mil em caso de descumprimento.
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A Keeta negou irregularidades e afirmou operar em conformidade com a legislação brasileira. Em nota, a empresa declarou que não recebeu notificação judicial e disse não realizar abordagens para os fins citados no processo.
Ex-funcionário admitiu repasse de informações
O processo é desdobramento de um inquérito policial aberto no ano passado. Segundo documentos citados na ação, e obtidos pela Folha, um ex-funcionário do iFood admitiu ter participado de reuniões virtuais remuneradas após ser abordado por uma consultoria chinesa.
De acordo com o material apresentado pela empresa, os encontros trataram de temas como volume de vendas por cidade, taxas cobradas de restaurantes e funcionamento do iFood Pago, braço financeiro da plataforma.
O ex-funcionário teria recebido cerca de R$ 5.500, parte em dólar, segundo os documentos anexados ao processo.
O iFood informou ainda que obteve, por meio de decisão da Justiça dos Estados Unidos, acesso a informações do aplicativo Zoom relacionadas às reuniões virtuais. Segundo a empresa, havia participantes utilizando endereços com domínio “@meituan.com”.
O rastreamento dos IPs apontou acessos registrados em São Paulo, Barueri e também fora do Brasil, incluindo a China.
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Cade também monitora atuação do iFood
A disputa ocorre em paralelo ao acompanhamento realizado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre a atuação do iFood no mercado de delivery.
Em fevereiro de 2023, a empresa assinou um Termo de Compromisso de Cessação (TCC) com o órgão antitruste para limitar contratos de exclusividade com restaurantes parceiros.
Neste mês, a Superintendência-Geral do Cade notificou o iFood para prestar esclarecimentos sobre possíveis descumprimentos do acordo. O órgão recebeu denúncias de supostas retaliações a restaurantes que passaram a operar também em plataformas concorrentes, como a 99Food.
Entre as acusações estão redução de visibilidade dentro do aplicativo e restrições à participação em campanhas promocionais.
O iFood afirmou que irá apresentar esclarecimentos ao Cade e reiterou compromisso com o cumprimento do acordo firmado com a autoridade concorrencial.











