O sucesso no mercado de commodities depende de uma análise baseada em um tripé fundamentalista: produção, estoque e consumo. Segundo Guto Gioielli, analista CNPI e fundador do Portal das Commodities, diferente de outros ativos, os contratos agrícolas na B3 são regidos pela realidade física do campo.
Em entrevista ao podcast Trader Talks, do BTG Pactual, apresentado por Lucas Costa, head de Research de Análise Técnica no BTG, Gioielli explica que atuar no setor do agronegócio exige que o investidor compreenda o equilíbrio entre a oferta e a demanda global para prever a direção dos preços.
Segundo o analista, o monitoramento desses três pilares permite identificar se o preço de um ativo, como o milho ou o boi gordo, tende a subir ou cair, independentemente das oscilações gráficas de curto prazo.
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O “tripé” de fundamentos no mercado de commodities
Um dos primeiros pontos a serem analisados são os relatórios de produção de órgãos oficiais, como os da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
O segundo ponto é o estoque de passagem, termo técnico para a reserva de grãos que sobra de um ano para o outro. Se o estoque for baixo, qualquer problema na produção seguinte pressiona os preços para cima.
A lógica é baseada na escassez ou excesso de produto. “Se você produziu 130 [milhões de toneladas] de milho e consumiu 82, mas fica sem estoque de passagem… vai pressionar o preço”, explica o especialista.
O terceiro pilar é o consumo, que abrange a demanda interna e as exportações. “Às vezes você tem um estoque baixo e uma produção média, mas não tem demanda. Nesse caso, o preço tenderia a cair ou não subir”, afirmou Gioielli durante a entrevista.
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Sazonalidade e clima como motores de preço
A sazonalidade é central na análise de Gioielli. No milho, ele observa que os preços tendem a cair durante o pico da colheita de verão (março e abril) devido à alta oferta localizada.
Já no mercado do boi gordo, o mês de maio é historicamente marcado pela “desova do boi de pasto”, quando o fim das chuvas reduz a qualidade do capim, forçando produtores a venderem os animais e aumentando a oferta no mercado físico.
O clima também atua como um catalisador de volatilidade. Problemas climáticos, como secas ou geadas, podem causar quebras de produção, reduzindo a oferta e gerando disparadas repentinas nos contratos futuros.
Estratégia operacional e como se proteger
Diferente do mercado de ações, onde se paga o valor integral do ativo, nas commodities opera-se com margem de garantia. Trata-se de um valor (cerca de 8% do contrato) depositado para garantir a operação, permitindo a alavancagem — técnica para movimentar grandes volumes financeiros com pouco capital próprio.
No contrato de milho, por exemplo, cada oscilação de R$ 1 no preço da saca representa um ganho ou perda de R$ 450 por contrato. “Se você comprou e ele subiu R$ 2… você ganhou R$ 900 em cima de um dinheiro que está aplicado rendendo”, afirma Gioielli.
Para decidir o momento exato de compra ou venda, Gioielli utiliza ferramentas técnicas como o Inside Bar. Esse padrão ocorre quando o intervalo de preço de um dia (mínima e máxima) fica totalmente dentro do intervalo do dia anterior, sinalizando uma possível explosão de movimento.
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Ele utiliza três médias móveis para validar a tendência: a de 9 períodos (exponencial), 50 e 200 períodos (aritméticas). O objetivo é que o fundamento (o motivo da alta ou baixa) esteja alinhado ao gráfico (o movimento do preço).
O especialista defende que o melhor instrumento de proteção contra oscilações de preço (hedge) para o produtor é a compra de opções. Diferente de contratos que obrigam a entrega física ou financeira do produto, as opções funcionam como um “seguro”.
Se o mercado cair, o produtor exerce o direito de vender por um preço pré-fixado; se o mercado subir, ele perde apenas o valor pago pelo seguro e vende sua produção física por preços mais altos.











