A prévia da inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15) subiu 0,62% em maio, desacelerando em relação à abril, mas rompendo o teto da meta inflacionária no acumulado de 12 meses, a 4,64%.
O número divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (27) também é o maior resultado para maio desde 2016, quando ficou em 0,86%.
O resultado de maio ficou acima da mediana das estimativas do mercado, que apontava alta de 0,56%, segundo levantamento do Broadcast.
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Após a divulgação, o banco Daycoval reforçou sua projeção para o final de ano, de um IPCA em 4,7% com viés de alta, “tanto em função da persistência do conflito no Oriente Médio quanto pela crescente possibilidade de um cenário climático adverso no segundo semestre, com a ocorrência do El Niño”, disse Julio Cesar, economista do Daycoval.
Energia e alimentos pressionam IPCA-15
Os principais impactos positivos sobre o índice vieram dos grupos Alimentação e Bebidas e Habitação. A alimentação no domicílio desacelerou levemente, de 1,77% em abril para 1,73% em maio, mas alguns itens continuaram pressionando os preços.
Entre os alimentos que compõem o grupo, a batata-inglesa subiu 26,29%, o tomate avançou 12,97%, o leite longa vida teve alta de 6,07% e as carnes aumentaram 1,98%.
Entre os itens com queda, destacaram-se a maçã (-2,32%) e o café moído (-2,09%).
Já no grupo Habitação, a energia elétrica residencial subiu 2,16% e teve o maior impacto individual no IPCA-15 de maio. Segundo o IBGE, o avanço reflete a adoção da bandeira tarifária amarela, que adiciona cobrança extra na conta de luz.
Combustíveis aliviam pressão nos transportes
O grupo Transportes foi o único a registrar queda no mês, com recuo de 0,33%. Os combustíveis passaram de alta de 6,06% em abril para queda de 1,47% em maio. O etanol caiu 2,73%, o óleo diesel recuou 2,04% e a gasolina teve baixa de 1,32%.
As passagens aéreas, porém, voltaram a subir e avançaram 3,25% após queda de 14,32% em abril.
Entre as regiões pesquisadas, Goiânia registrou a maior inflação, com alta de 1,41%, influenciada pelos aumentos da gasolina e do etanol. Já Brasília teve a menor variação, de 0,33%.
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Economistas veem inflação ainda resistente
Para Leonardo Costa, economista do ASA, o resultado qualitativo do IPCA-15 trouxe nova surpresa negativa, principalmente pelo comportamento dos bens industrializados e dos serviços.
Segundo ele, os efeitos indiretos da alta recente do petróleo e das tensões no Oriente Médio começam a pressionar custos ao longo da cadeia produtiva.
O economista também avalia que o núcleo de serviços segue elevado, o que pode dificultar o processo de convergência da inflação para a meta do Banco Central, mesmo após o início do ciclo de cortes de juros em 2026.
Na avaliação de Olivia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, o mercado continua atento à composição da inflação, especialmente aos serviços, alimentos e preços administrados, como energia elétrica.
Ela afirma que, mesmo com desaceleração do índice cheio, a permanência de núcleos pressionados reforça a percepção de juros elevados por mais tempo.











