O atraso da colheita de café no Brasil tem sustentado o preço do grão nas bolsas internacionais, junto da redução dos estoques certificados e de novas projeções para a safra 2026/27.
Segundo Leonardo Rossetti, da consultoria StoneX, os avanços em Nova York e em Londres vêm após uma correção técnica depois das fortes quedas registradas na semana anterior.
Os contratos do café arábica em Nova York haviam atingido os menores níveis em aproximadamente um ano e meio, o que abriu espaço para recuperação parcial dos preços.
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Estoques baixos sustentam mercado
Outro fator que deu suporte às cotações foi a redução dos estoques certificados de café, que recuaram de cerca de 650 mil para 600 mil sacas.
De acordo com Rossetti, o volume segue em patamar historicamente baixo, o que ajuda a sustentar os preços no curto prazo, especialmente em um ambiente de oferta ainda apertada no mercado de arábica.
A colheita brasileira também segue atrasada. Estimativas da StoneX indicam que os trabalhos alcançaram cerca de 14% da área até o momento, abaixo da média histórica de 21% para este período.
USDA projeta recuperação da produção global
As primeiras estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para a safra global de café 2026/27 também influenciam no comportamento da commodity.
O órgão projeta produção de 32,5 milhões de sacas no Vietnã, alta de 2,5% em relação à temporada anterior. Na Colômbia, a expectativa é de 13,4 milhões de sacas, crescimento de 7%.
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Por outro lado, a Indonésia teve a projeção reduzida para 11,3 milhões de sacas devido aos impactos climáticos provocados pelo excesso de chuvas.
Segundo a StoneX, os dados parciais do USDA apontam crescimento global de 1,7% na produção de café, em linha com as projeções da consultoria, que estima superávit próximo de 10 milhões de sacas na temporada 2026/27.
Estoques globais seguem no radar
Apesar da expectativa de maior produção, os estoques finais globais devem cair 11% na próxima temporada, segundo o USDA.
Para a StoneX, o movimento reforça a percepção de que a recomposição dos estoques acontecerá de forma desigual entre os países produtores, com o Brasil concentrando parcela maior dos volumes disponíveis.
A consultoria avalia que isso pode provocar distorções regionais e períodos pontuais de aperto na oferta, mantendo a volatilidade elevada no mercado internacional. Os estoques finais menores em países como Vietnã, Colômbia, Etiópia, Uganda e Índia também indicam uma demanda global ainda resiliente.
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Chuvas atrasam colheita no Brasil
Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq) mostra que a colheita brasileira segue em ritmo lento na maior parte das regiões produtoras.
As chuvas recentes dificultaram o avanço dos trabalhos e aumentaram o risco de perda de qualidade dos grãos, já que a precipitação derruba café no chão e pode comprometer o processo de coleta.
No Sul de Minas, a colheita do arábica se aproxima de 10% da safra. Nas Matas de Minas, os trabalhos variam entre 10% e 15%, enquanto no Cerrado Mineiro a colheita segue perto de 5%.
Em São Paulo, a média da colheita está próxima de 10%, mas as fortes chuvas limitaram o avanço das atividades em regiões como Marília e Mogiana Paulista. No Paraná, a colheita alcança cerca de 20% da safra, favorecida pelo menor volume de chuvas nos últimos dias.
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Arábica caminha para forte queda em maio
Mesmo com a recuperação recente nas bolsas, os preços do café arábica seguem pressionados no acumulado do mês. O Indicador CEPEA/ESALQ do café arábica registra queda de 7,03% em maio até o dia 26, com média de R$ 1.637,80 por saca de 60 quilos, refletindo o avanço gradual da nova safra brasileira.
Já o robusta apresenta comportamento diferente. O indicador do tipo 6, peneira 13 acima, no Espírito Santo, acumula leve alta de 1,33% no mês, com média de R$ 929,24 por saca.
Segundo o Cepea, Rondônia segue como a região mais avançada na colheita do robusta, com entre 50% e mais de 60% dos trabalhos já concluídos.











