O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao quarto trimestre de 2025, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (29) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em valores correntes, a economia brasileira movimentou R$ 3,3 trilhões entre janeiro e março.
Na comparação anual, o PIB avançou 1,8%. Já no acumulado dos últimos quatro trimestres, o crescimento da economia foi de 2%. O desempenho positivo foi puxado pelos três principais setores da economia: Agropecuária (2%), Indústria (1%) e Serviços (0,5%).
Com o desempenho do primeiro trimestre, o Brasil deve retornar ao grupo das dez maiores economias do mundo em 2026, ultrapassando o Canadá, segundo projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI).
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Além disso, levantamento da Austin Rating aponta que o Brasil teve o sexto maior crescimento econômico entre 45 países no primeiro trimestre deste ano. A liderança do ranking ficou com Hong Kong, Taiwan, Dinamarca, Coreia do Sul e China.
Agro e petróleo puxam crescimento da economia
Segundo o IBGE, a agropecuária teve forte contribuição para o resultado do trimestre, impulsionada principalmente pela safra recorde de soja. O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) apontou crescimento de 4,8% na produção da commodity em relação ao ano anterior.
A indústria também contribuiu para a expansão do PIB, com destaque para a atividade extrativa mineral, que cresceu 3,6%, apoiada pelo aumento da produção de petróleo e gás natural. A construção civil avançou 2,9% no período.
Entre os serviços, setor que representa cerca de 70% da economia brasileira, os destaques positivos foram informação e comunicação (2,4%), atividades imobiliárias (1,2%) e comércio (0,6%).
“O crescimento do PIB ficou próximo ao da indústria, com os serviços puxando a média para baixo e a agropecuária para cima”, afirmou Ricardo Montes de Moraes, coordenador de Contas Nacionais do IBGE.
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Consumo das famílias e investimentos avançam
Pelo lado da demanda, o consumo das famílias cresceu 1% frente ao trimestre anterior, enquanto a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), indicador usado para medir investimentos, avançou 3,5%. O consumo do governo também teve resultado positivo, com alta de 0,4%.
No setor externo, as exportações recuaram 1,7% na comparação trimestral, enquanto as importações cresceram 4,4%. Na comparação anual, as exportações avançaram 7,4%, impulsionadas principalmente pelas vendas externas de petróleo, alimentos e equipamentos de transporte.
Economistas projetam desaceleração do PIB à frente
Apesar do resultado positivo, economistas avaliam que parte do crescimento foi sustentada por fatores pontuais, como a forte safra agrícola e estímulos fiscais.
Para Roberto Padovani, economista-chefe do banco BV, o início do ano mostrou uma economia resistente a choques recentes, como crises climáticas, tensões geopolíticas e oscilações do petróleo. “O ano começa bem e sugere crescimento próximo de 2% em 2026. Mas isso também reforça preocupações sobre juros elevados por mais tempo”, afirmou.
Antonio Ricciardi, economista do Daycoval, destacou o avanço do consumo das famílias, impulsionado pelo aumento da renda e pela ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda.
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Segundo ele, setores mais dependentes dos juros continuam apresentando desempenho mais fraco, especialmente a indústria de transformação e parte dos investimentos.
Já Leonardo Costa, economista do ASA, afirmou que o resultado veio em linha com as expectativas do mercado, mas ponderou que os principais motores do trimestre tiveram caráter menos estrutural.
A expectativa dos analistas é de desaceleração gradual da atividade econômica nos próximos trimestres, em meio ao cenário de juros elevados e impactos do aumento do preço do petróleo sobre os custos da economia.











