As promessas envolvendo a inteligência artificial (IA) começaram a gerar processos nos Estados Unidos. O movimento, conhecido como “AI Washing”, acontece quando empresas exageram ou distorcem expectativas de crescimento, impulsionando ações e atraindo investidores.
Levantamento elaborado pela consultoria Howden mostra que, em 2025, foram registradas 17 class actions — processos coletivos movidos por investidores que alegam ter recebido informações insuficientes — relacionadas a promessas consideradas excessivas.
De acordo com especialistas, o avanço dos processos judiciais reflete uma mudança de percepção dos investidores, que começaram a diferenciar o discurso das empresas listadas na Bolsa do desempenho operacional efetivo.
No novo episódio do podcast Ligando os Pontos, Marcos de Vasconcellos, CEO do Monitor do Mercado e colunista da Folha de S.Paulo, mostra como o “AI Washing” entrou na lista de motivos para investidores processarem empresas da Bolsa norte-americana.
Veja o vídeo na íntegra:
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Investidores cobram resultados concretos
Nos últimos dois anos, empresas de diferentes setores passaram a incorporar IA em apresentações, conferências com analistas e materiais para investidores.
O movimento ganhou força com o avanço de plataformas de IA generativa e a valorização acelerada de empresas ligadas à infraestrutura tecnológica, como fabricantes de chips, serviços de computação em nuvem e data centers.
Apesar disso, os ganhos econômicos ainda aparecem concentrados nas companhias que fornecem a infraestrutura necessária para operação dessas ferramentas.
Empresas como NVIDIA, Microsoft e Amazon foram algumas das beneficiadas pelo aumento da demanda por processamento e armazenamento de dados ligados à inteligência artificial. Fora desse núcleo, investidores ainda encontram dificuldade para identificar impactos relevantes da IA sobre receita, margem de lucro e produtividade em larga escala.
IA também virou justificativa para demissões
O relatório também aponta que a inteligência artificial passou a ser utilizada como justificativa para cortes de pessoal. Uma pesquisa realizada nos EUA com gestores de recursos humanos de mil empresas mostrou que 42% admitiram citar a IA para explicar demissões, mesmo quando os cortes estavam relacionados principalmente à redução de custos ou desaceleração financeira.
Ao mesmo tempo, o estudo mostra que 92% dessas companhias seguem contratando normalmente para 2026. Para analistas, os dados indicam que o discurso sobre substituição massiva de trabalhadores por inteligência artificial ainda não se reflete de forma ampla nas práticas corporativas.
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Mercado já viveu movimentos semelhantes
Nos anos 1990, empresas ligadas à internet registraram forte valorização durante a chamada bolha “pontocom”, vivendo um ciclo semelhante. Há menos tempo, movimentos envolvendo blockchain, metaverso, ESG e criptoativos também impulsionaram narrativas de crescimento acelerado.
Enquanto alguns desses temas resultaram em mudanças estruturais na economia, outros não conseguiram converter expectativas em geração de caixa e lucro.
No caso da inteligência artificial, especialistas apontam que o desafio do mercado será separar empresas que realmente incorporaram IA ao modelo de negócios daquelas que utilizam a tecnologia principalmente como narrativa para investidores.











