Os mercados encerram a semana mais otimistas com o cenário geopolítico, reduzindo parte do prêmio de risco que vinha sustentando a alta do petróleo e pressionando os mercados globais. O gatilho foi a sinalização de Donald Trump de que as negociações com o Irã estariam em estágio avançado, com a reabertura do Estreito de Ormuz figurando entre os pontos centrais de um possível acordo.
A mudança de percepção teve reflexo imediato nos ativos. O petróleo Brent despencou mais de 3% na quinta-feira (4), o Dow Jones atingiu novo recorde e os rendimentos dos Treasuries recuaram. O movimento sugere que o mercado passou a atribuir menor probabilidade aos cenários mais temidos nas últimas semanas, como interrupções prolongadas no fluxo global de petróleo e uma nova rodada de pressão inflacionária sobre a economia global. O otimismo, porém, contrasta com a realidade diplomática. Enquanto Trump fala em avanços e até em um encontro com a liderança iraniana, Teerã afirma que as negociações seguem travadas e sem progresso concreto.
No Líbano, um novo cessar-fogo, anunciado na noite de quarta-feira (3) e mediado pelos Estados Unidos, ajudou a melhorar o humor dos mercados, mas a principal força militar envolvida no conflito rejeitou as condições propostas por Washington, incluindo qualquer compromisso de desarmamento ou limitação de sua presença no sul do país.
A Guarda Revolucionária iraniana também endureceu o discurso, condicionando qualquer acordo mais amplo ao fim das operações israelenses e à retirada de Israel de áreas ocupadas no Líbano. Assim, o mercado parece apostar menos em uma paz iminente e mais na capacidade de Trump de evitar uma escalada.
A precificação atual reflete a percepção de que diminuíram os riscos de eventos extremos, como o fechamento de Ormuz, um confronto direto entre Estados Unidos e Irã ou a ampliação da guerra na região.
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No Brasil, a nova ofensiva tarifária dos Estados Unidos ganhou dimensão política e elevou a tensão nas relações entre os dois países. Enquanto o governo brasileiro reforça a defesa contra as acusações de Washington e tenta evitar uma escalada comercial, o tema já começa a contaminar o debate da corrida presidencial de 2026.
Em meio à disputa, parlamentares da base governista desembarcaram em Washington para defender a posição brasileira, enquanto integrantes do governo Trump ampliam o escopo das críticas, incluindo temas como o Pix, a regulação digital e o tratamento dado às gigantes americanas de tecnologia.
O endurecimento do discurso ficou evidente após o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmar que o governo americano está disposto a reagir a iniciativas de tributação digital que afetem empresas do país. Ainda assim, Brasília mantém a aposta na negociação. O chanceler Mauro Vieira afirmou que o Brasil já apresentou respostas técnicas às alegações americanas e espera avanços nas audiências previstas para julho.
A pressão, porém, aumentou. Após recomendar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros por supostas práticas comerciais irregulares, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) propôs uma sobretaxa adicional de 12,5%, alegando falhas no combate à importação de bens produzidos com trabalho forçado.
Embora a medida também tenha atingido dezenas de países e a União Europeia, o impacto potencial para o Brasil é significativo. Segundo a Amcham Brasil, alguns produtos nacionais podem enfrentar tarifas acumuladas de até 37,5% caso as propostas avancem.
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Manchetes desta manhã
- Governo do Rio impede empresas ligadas ao Grupo Refit de emitir notas de compra e venda (Valor)
- EUA oficializam classificação do PCC e CV como terroristas (Folha)
- Brasil ganha 1,5 milhão de novas empresas inadimplentes em um ano por causa de juro alto (Estadão)
- Anthropic pede ‘botão de pausa’ para IA e defende freio no avanço da tecnologia (O Globo)
Mercado global se divide entre recuo das techs e otimismo com novo cessar-fogo no Oriente Médio
Na Ásia, a maioria das praças encerrou a semana em queda, com a realização de lucros no setor de tecnologia. A migração para ações mais ligadas à economia real pesou sobre os mercados do Japão e da Coreia do Sul, enquanto a expectativa de uma nova alta de juros pelo Banco do Japão ampliou as perdas em Tóquio.
As bolsas da Europa operam em alta nesta sexta-feira, sustentadas pelo alívio gerado pelo cessar-fogo entre Israel e Líbano e pela queda do petróleo pelo segundo dia consecutivo, reduzindo preocupações com a inflação.
Os ganhos, liderados pelos setores bancário e automotivo, são parcialmente limitados pelas perdas de empresas de semicondutores, acompanhando a fraqueza das ações de tecnologia em Nova York e na Ásia.
Em Nova York, os índices futuros operam majoritariamente em queda, pressionados por ações ligadas à inteligência artificial, enquanto os investidores aguardam o payroll de maio. O mercado projeta a criação de 80 mil vagas de trabalho e taxa de desemprego estável em 4,3%, números que podem influenciar as expectativas para os próximos passos do Fed.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: -0,44%
- FTSE 100: +0,35%
- CAC 40: +0,51%
- Nikkei 225: -1,31%
- Shanghai SE Comp: -0,74%
- Hang Seng: -1,15%
- Ouro (jun): -0,20%, a US$ 4.496,05 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): -0,25%, aos 99,20 pontos
- Bitcoin: -3,10% a US$ 61.755,6
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Commodities
- Petróleo: os contratos futuros operam em leve queda nesta sexta-feira, ampliando o movimento iniciado na véspera após o anúncio do cessar-fogo entre Israel e Líbano. Apesar das incertezas sobre a trégua, o mercado vê o acordo como um sinal de possível avanço diplomático nas negociações entre Estados Unidos e Irã, reduzindo parte do prêmio de risco geopolítico.
O Brent/agosto recua 0,06%, cotado a US$ 94,97 e o WTI/julho tem leve queda de 0,01%, a US$ 93,03. - Minério de ferro: fechou em queda de 0,91% em Dalian, na China, cotado a US$ 113,18/ton.
Cenário internacional
Nos EUA, o principal evento desta sexta-feira é a divulgação do payroll de maio, às 9h30, indicador que deve calibrar as expectativas para os próximos passos do Federal Reserve (Fed). O consenso do mercado aponta para a criação de 85 mil vagas de trabalho, após 115 mil em abril, enquanto a taxa de desemprego deve permanecer em 4,3%.
O relatório ganha peso adicional após o recuo do petróleo e o alívio recente nos Treasuries, fatores que reduziram parte das preocupações inflacionárias ligadas ao conflito no Oriente Médio. Um resultado próximo das projeções tende a reforçar a postura cautelosa do Fed. Já uma leitura mais forte pode elevar as apostas em juros mais altos por mais tempo, enquanto um dado fraco reacenderia dúvidas sobre o ritmo da economia americana.
Por enquanto, o mercado segue apostando na manutenção dos juros nos próximos meses. Segundo o CME Group, a probabilidade predominante é de estabilidade até outubro, com a possibilidade de aperto monetário ganhando força apenas no fim do ano. A presidente do Fed de São Francisco, Mary Daly, reforçou que a inflação continua sendo a principal preocupação da autoridade monetária.
O alerta também veio do FMI, que voltou a destacar os riscos inflacionários associados à guerra no Oriente Médio, aos custos de energia e às tarifas comerciais. A instituição agora projeta que a inflação dos Estados Unidos só retornará à meta de 2% no fim de 2027.
Cenário nacional
No Brasil, destaque para a divulgação de uma nova pesquisa de intenção de voto do Instituto Vox para a eleição presidencial de 2026, prevista para esta sexta-feira. O levantamento, realizado entre 1º e 3 de junho, também mediu a percepção dos eleitores sobre temas que têm dominado o debate público, como o fim da escala 6×1 e a repercussão da viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos.
Os números chegam em um momento em que as pesquisas continuam apontando espaço para uma candidatura capaz de romper a polarização entre Lula e Bolsonaro. Apesar disso, estudo qualitativo divulgado pela Genial/Quaest mostrou que, embora exista demanda por uma alternativa política, o eleitorado ainda não identifica uma liderança com força suficiente para ocupar esse espaço.
Outro tema que ganhou relevância foi a decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Segundo levantamento da AtlasIntel, 53,1% dos brasileiros apoiam a medida. Ao mesmo tempo, a pesquisa revela um país dividido sobre seus possíveis efeitos para a soberania nacional, evidenciando como questões de segurança pública e relações internacionais tendem a ganhar peso crescente no debate político dos próximos meses.
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Destaques do mercado corporativo
- Copasa: a oferta de privatização movimentou R$ 5,59 bilhões com a venda de 30% do capital a R$ 49,03 por ação, podendo alcançar R$ 7,95 bilhões caso o lote adicional seja exercido.
- Equatorial: foi confirmada como investidora de referência da oferta da Copasa, reforçando sua estratégia de expansão em infraestrutura e saneamento.
- Raízen: firmou acordo para vender seus ativos na Argentina à Mercuria Energy Group por US$ 1,42 bilhão, avançando no processo de reciclagem de portfólio.
- Braskem: concluiu a transferência do controle da NSP para a IG4 Capital, marcando uma das maiores reorganizações societárias recentes do setor petroquímico.
- Nubank: aprovou um programa de recompra de ações de até US$ 1 bilhão, sinalizando confiança da administração na geração futura de valor.
- Alphabet: captou US$ 84,75 bilhões em oferta de ações, superando a meta inicial de US$ 80 bilhões, para acelerar investimentos em inteligência artificial.
- SpaceX: confirmou IPO a US$ 135 por ação, operação que poderá movimentar até US$ 85,7 bilhões e atribuir à companhia avaliação de até US$ 1,77 trilhão.











