A economia dos Estados Unidos criou 172 mil empregos em maio, mais do que o dobro (85 mil) que o mercado esperava para o payroll (relatório de empregos do país) e reforça a percepção de que o Federal Reserve (Fed) manterá uma postura cautelosa para começar a cortar juros.
Os dados divulgados nesta sexta-feira (6) pelo Departamento do Trabalho dos EUA também apontaram para uma taxa de desemprego estável em 4,3%, repetindo o nível observado em abril e em linha com as projeções do mercado.
Já o salário médio por hora avançou 0,32% em maio ante abril, alcançando US$ 37,53. Na comparação anual, o crescimento foi de 3,45%, também ligeiramente acima das expectativas.
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Revisões ampliam força do mercado de trabalho
Além do resultado acima do esperado em maio, o relatório trouxe revisões positivas para os meses anteriores. A criação de vagas em abril foi revisada de 115 mil para 179 mil empregos, enquanto o dado de março passou de 185 mil para 214 mil.
Com isso, a média móvel de três meses atingiu o nível mais elevado desde março de 2024, reforçando a avaliação de que o mercado de trabalho americano continua resistente mesmo diante dos juros elevados.
Os ganhos de emprego foram distribuídos por diversos setores da economia, incluindo lazer e hospitalidade, construção civil, manufatura e setor público.
Fed deve voltar atenção para a inflação após payroll
Para William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, o payroll reforça uma percepção que já vinha sendo sinalizada por outros indicadores recentes do mercado de trabalho.
Segundo ele, os números afastam preocupações sobre uma desaceleração mais intensa do emprego e colocam novamente a inflação no centro das atenções do Fed. “O mercado de trabalho parece dar sinais concretos de solidez. Isso sugere que ele não é um problema para o Fed neste momento e que o banco central precisa focar principalmente na inflação”, afirmou.
O estrategista destacou ainda que as médias de três e seis meses de geração de empregos continuam robustas, mesmo após a desaceleração observada ao longo de 2025.
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Na avaliação dele, o resultado reduz o espaço para discussões sobre um cenário de estagflação — combinação de inflação elevada com crescimento econômico fraco — e pode levar o mercado a considerar a possibilidade de novos aumentos de juros nos próximos anos.
Capital Economics vê pressão por novos aumentos de juros
A consultoria Capital Economics avalia que o resultado fortalece a posição dos dirigentes mais favoráveis a uma política monetária restritiva dentro do Fed.
Segundo a instituição, este foi o terceiro relatório consecutivo de emprego acima das expectativas, o que reduz as preocupações sobre uma deterioração do mercado de trabalho. “A tese de que os riscos para o emprego seguem inclinados para baixo está cada vez mais difícil de sustentar”, afirmou a consultoria.
Para a Capital Economics, caso o mercado de trabalho continue resiliente durante os próximos meses e a inflação permaneça pressionada, o cenário mais provável passa a incluir novas altas preventivas de juros até o fim do ano. Ainda assim, a consultoria acredita que qualquer movimento nesse sentido só deve ser discutido a partir da reunião de setembro.
Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, também vê o resultado como um fator que deve adiar eventuais cortes nas taxas de juros americanas.
“O payroll veio acima do esperado e reforça a tese de que o mercado de trabalho norte-americano continua aquecido. Isso sugere que o Fed deve demorar mais para iniciar uma redução dos juros”, afirmou.
A próxima semana será marcada pela divulgação dos dados de inflação dos Estados Unidos, considerados decisivos para calibrar as expectativas do mercado antes da reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), marcada para os dias 16 e 17 de junho.
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Casa Branca descarta necessidade de alta dos juros
Apesar da leitura mais cautelosa do mercado, o diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, Kevin Hassett, afirmou que o Fed não tem motivos para elevar os juros neste momento.
Em entrevista à CNBC, o assessor do presidente americano argumentou que a autoridade monetária pode acompanhar a evolução da inflação antes de tomar qualquer decisão.
Segundo Hassett, o banco central não deveria aumentar os juros e poderá até encontrar espaço para reduzi-los nos próximos meses, dependendo da trajetória dos preços.
Ele também minimizou os impactos da recente alta do petróleo provocada pelas tensões no Oriente Médio, afirmando que os estoques da commodity permanecem elevados em termos históricos e que as pressões sobre os preços da energia tendem a ser temporárias.











