O Magazine Luiza (MGLU3) anunciou nesta segunda-feira (8) uma parceria com a Amazon Brasil para vender produtos dentro do marketplace da big tech. Para analistas do Citi e especialistas do setor, a parceria reflete uma mudança na estratégia do varejo digital, com empresas buscando ampliar presença onde os consumidores já realizam compras online.
O acordo envolve mais de 12 mil produtos das marcas Magalu, KaBuM!, Época Cosméticos e Netshoes. Os itens serão comercializados na plataforma da Amazon, enquanto as entregas ficarão sob responsabilidade da Magalog, operação logística do grupo.
Segundo análise do Citi, a parceria pode ampliar o alcance da companhia, melhorar a eficiência operacional e abrir novas oportunidades de crescimento. O banco afirmou ter saído “mais positivo sobre os riscos de alta” para a empresa após conversas com executivos do Magazine Luiza.
Nesta terça, os papéis do Magalu lideraram o Ibovespa em grande parte do dia, mas perderam força e fecharam em alta de 2,81%, a R$ 5,49. O Citi, apesar de achar positiva a parceria, mantém cautela e tem recomendação neutra (com preço-alvo de R$ 6,50) para as ações da varejista e as classifica como de alto risco.
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Citi vê potencial de expansão da parceria e da base de clientes do Magalu
De acordo com o relatório assinado pelos analistas João Pedro Soares e Felipe Husein, o acordo pode ir além das cerca de 12 mil unidades de manutenção de estoque (SKUs, na sigla em inglês) inicialmente anunciadas.
O Citi destaca que a rentabilidade da operação pode ser equivalente ou até superior à do canal próprio do Magazine Luiza, considerando fatores como custos de aquisição de clientes e despesas financeiras.
Outro ponto observado é o potencial de crescimento da operação logística. A Magalog será responsável pelas entregas dos produtos vendidos na Amazon e poderá, futuramente, atuar como operadora logística terceirizada (3PL) para a plataforma americana.
Segundo o banco, o Magazine Luiza possui aproximadamente 510 mil metros quadrados de área de armazenagem no Brasil, enquanto a Amazon opera cerca de 706 mil metros quadrados. Juntas, as estruturas se aproximariam da capacidade logística da Shopee no país.
O Citi também chama atenção para o potencial de expansão da base de clientes. Segundo informações compartilhadas pela companhia ao banco, cerca de 75% dos usuários adicionais provenientes da Amazon não fazem parte da base atual do Magazine Luiza.
Com base nos cerca de 14 milhões de usuários ativos diários da Amazon no Brasil, os analistas estimam que a parceria possa representar até 10 milhões de usuários adicionais em potencial.
O acordo também não possui caráter exclusivo. Isso permite que o Magalu mantenha ou amplie parcerias com outros marketplaces. Atualmente, a varejista já atua como vendedora em plataformas como Alibaba, Itaú Shop e Méliuz.
Estratégia passa a ser estar onde o consumidor está
Para Jasper Perru, especialista em Growth Performance da ANYTOOLS, o movimento reflete uma mudança estrutural no comércio eletrônico brasileiro.
Segundo ele, grandes varejistas passaram a priorizar a presença em ecossistemas digitais com grande concentração de consumidores, em vez de focar exclusivamente em seus próprios canais de venda.
Na avaliação do especialista, a estratégia busca ampliar audiência, aumentar alcance e capturar demanda já existente em plataformas consolidadas.
Perru observa que o crescimento dos marketplaces transformou a dinâmica competitiva do setor. Em vez de disputar apenas qual plataforma atrai mais consumidores, as empresas passaram a competir dentro dos próprios ecossistemas digitais onde o público já está presente.
Escala exige integração e automação
A ampliação da presença em múltiplos marketplaces também aumenta a complexidade operacional. Segundo Perru, operações desse porte exigem integração entre estoque, catálogo de produtos, preços, logística e processamento financeiro em tempo real.
Nesse cenário, ferramentas de automação e integração ganham importância para evitar falhas operacionais e garantir eficiência na gestão de diferentes canais simultaneamente.
“O futuro do e-commerce não será definido por quem possui mais canais, mas por quem consegue operar melhor dentro deles. A vantagem competitiva estará na capacidade de orquestrar diferentes ecossistemas com eficiência e escala”, conclui Jasper.











