O BTG Pactual iniciou a cobertura das ações da Compass (PASS3) com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 38 por ação, representando um potencial de valorização de aproximadamente 50% em relação a cotação de R$ 24,95 no fechamento desta terça-feira (16).
Segundo o banco, a companhia reúne um conjunto de ativos capazes de combinar geração previsível de caixa, proteção contra a inflação e oportunidades de crescimento no mercado de gás natural.
A abertura de capital da Compass ocorreu em maio como parte do processo de reestruturação da Cosan. Após a oferta pública, a participação da Cosan foi reduzida de 88% para 76%, enquanto a empresa captou cerca de R$ 3,2 bilhões em uma operação secundária.
Para o BTG, a Compass representa o principal ativo do grupo e reúne negócios considerados complementares no setor de gás.
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Distribuição garante receitas previsíveis para a Compass
O banco avalia que o principal diferencial da Compass está em seu portfólio de concessões de distribuição de gás natural. A empresa possui participação em sete distribuidoras da região Sul e Sudeste, controlando quatro delas: Comgás, Necta, Sulgás e Compagas.
Segundo o relatório, esse tipo de concessão funciona como um monopólio natural, modelo em que apenas uma empresa opera determinada infraestrutura por questões de eficiência econômica. Como essas atividades são reguladas, a remuneração tende a ser mais previsível e acompanha a expansão dos investimentos realizados.
Na avaliação do BTG, esse modelo oferece três vantagens principais:
- proteção contra a inflação;
- crescimento da base de ativos regulatórios, que aumenta a remuneração ao longo do tempo;
- baixa volatilidade dos resultados, mesmo em diferentes ciclos econômicos.
Terminal de GNL amplia oportunidades
Além da distribuição, o banco destaca a operação da Edge, subsidiária responsável pelo terminal de gás natural liquefeito (GNL) localizado em Santos.
O terminal possui capacidade de regaseificação e transporte de 14 milhões de metros cúbicos por dia e opera com contrato de longo prazo firmado com a TotalEnergies.
Na visão do BTG, esse ativo vai além da infraestrutura logística. O terminal permite aproveitar diferenças de preços entre mercados — estratégia conhecida como arbitragem — e amplia o alcance comercial da empresa.
Outro diferencial apontado é a possibilidade de atender consumidores ainda não conectados à rede de distribuição, utilizando pequenas cargas de GNL até que a infraestrutura seja expandida.
BTG vê geração consistente de valor
Para os analistas, a combinação entre concessões reguladas e operação de GNL faz da Compass uma empresa com capacidade de gerar valor de forma consistente no longo prazo.
O BTG destaca ainda que a Comgás, principal ativo da companhia, registrou crescimento médio anual próximo de 9% no EBITDA desde 2012, enquanto sua base de ativos regulatórios avançou cerca de 8% ao ano.
Na avaliação do banco, outras distribuidoras do grupo, como Sulgás, Necta e Compagas, devem seguir trajetória semelhante, sustentando o crescimento dos resultados nos próximos anos.











