A 290 km de Porto Alegre, no norte do Rio Grande do Sul, Passo Fundo recebeu o título oficial de Capital Nacional da Literatura pela Lei Federal 11.264, sancionada em 24 de janeiro de 2006. A cidade tem mais de 200 mil habitantes, IDHM de 0,776 e abriga o maior debate literário da América Latina, a Jornada Nacional de Literatura.
De rota de tropeiros a Capital do Planalto Médio gaúcho
O nome vem do tupi Goyo-En, palavra dos povos Kaingang que significa “muita água” ou “rio fundo”. O Rio Passo Fundo ainda corta o município e batizou a cidade. Antes da colonização, o território pertencia à Província Jesuítica das Missões Orientais do Uruguai.
O primeiro morador branco foi o cabo Manoel José das Neves, que em 1827 recebeu terras da Comandância Militar de São Borja e fundou a Fazenda Nossa Senhora da Conceição Aparecida, onde hoje está a Praça Tamandaré. Segundo a Prefeitura de Passo Fundo, a emancipação aconteceu em 7 de agosto de 1857.

O cotidiano em um dos principais polos do Sul do Brasil
A cidade fica a 687 metros de altitude e funciona como capital regional para mais de 100 municípios. Tem 783 km² de área e cresceu impulsionada pelo agronegócio, comércio e serviços, que respondem por mais de 70% dos empregos formais, conforme dados da Prefeitura.
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A saúde é referência para todo o Sul do Brasil. Hospitais como o São Vicente de Paulo e o Hospital de Clínicas atendem uma população flutuante superior a 1 milhão de pessoas. Na educação, são nove instituições de ensino superior, com destaque para a Universidade de Passo Fundo (UPF) e a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS).

Por que essa cidade gaúcha virou a única Capital da Literatura por lei federal?
A vocação literária ganhou força a partir das décadas de 1980 e 1990 com a criação da Jornada Nacional de Literatura, evento bienal organizado pela UPF que reúne escritores, leitores e intelectuais de todo o mundo. O encontro virou o maior debate literário da América Latina.
O alcance do evento levou o governo federal a sancionar a Lei 11.264 em janeiro de 2006, conferindo à cidade o título oficial de Capital Nacional da Literatura. É a única do Brasil com esse reconhecimento por lei federal. O índice de leitura por pessoa em Passo Fundo se aproxima do registrado na França e é três vezes mais alto que a média nacional, segundo dados consolidados pelo setor educacional.
O que fazer entre praças literárias, parques e centro histórico?
A literatura saiu dos auditórios e ocupou as ruas. Letras gigantes em metal decoram praças centrais e a Avenida Brasil tem túneis temáticos. Dois dias dão para conhecer o essencial.
- Parque da Gare: maior área de lazer da cidade, instalada na antiga Estação Ferroviária, com ciclovia, lago de nascentes naturais, anfiteatro, pista de skate e a Estação Cultural com programação permanente.
- Catedral Nossa Senhora Aparecida: principal símbolo religioso e arquitetônico, com torres imponentes no centro da cidade.
- Praça Marechal Floriano Peixoto: decorada com letras gigantes em metal que homenageiam obras clássicas da literatura brasileira.
- Túneis da Literatura: instalações nos canteiros centrais da Avenida Brasil com referências a livros clássicos e autores nacionais.
- Espaço Cultural Roseli Doleski Pretto: conjunto de três prédios históricos restaurados que abrigam exposições, oficinas e biblioteca.
- Biblioteca Pública Arno Viuniski: fundada em 1940, mantém acervo de mais de 40 mil volumes em prédio histórico no centro.
Quem busca conhecer um pouco mais sobre Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Tasso Barbosa, que conta com mais de 31 mil visualizações, onde ele apresenta um roteiro pela cidade, passando por pontos como a Praça Tamandaré, a Catedral, a Pedreira São José e a Universidade de Passo Fundo, oferecendo um olhar pessoal e curioso sobre esse importante polo de saúde e educação no estado:
A gastronomia gaúcha do Planalto Médio
A culinária local mistura tradição gaúcha e influências italianas e alemãs trazidas pelos colonos. O Centro de Tradições Gaúchas (CTG) tem presença forte e os restaurantes da cidade são reconhecidos pelos cortes nobres.
- Churrasco gaúcho: cortes como costela, picanha e maminha assados em fogo de chão e parrilla, tradição preservada nos CTGs.
- Galeto al primo canto: frango jovem assado no espeto, herança da imigração italiana presente na região.
- Polenta com queijo: acompanhamento clássico do Planalto Médio, servida frita ou cremosa.
- Chimarrão: bebida símbolo do Rio Grande do Sul, presente em todas as conversas, das praças aos escritórios.
Como é o clima ao longo do ano no Planalto Médio gaúcho?
O clima subtropical úmido tem grande amplitude térmica entre as estações. Os invernos são frios com geadas frequentes e os verões trazem tardes quentes com chuvas passageiras.
| Estação | Meses | Temperatura | Chuva | O que fazer |
|---|---|---|---|---|
| Verão | Dez-Fev | 18-30°C | Média | Parque da Gare e festivais |
| Outono | Mar-Mai | 12-24°C | Alta | Jornada de Literatura em anos ímpares |
| Inverno | Jun-Ago | 4-18°C | Alta | Festival de Inverno e gastronomia |
| Primavera | Set-Nov | 12-25°C | Alta | Semana Farroupilha e CTGs |
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à Capital Nacional da Literatura no norte gaúcho
A cidade fica a 290 km de Porto Alegre, cerca de 3h30 pela BR-285 e RS-153. O Aeroporto Lauro Kortz, no município, opera voos regulares para a capital gaúcha e São Paulo. A cidade também recebe ônibus de longa distância de Chapecó, Caxias do Sul e Florianópolis.
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Conheça a cidade onde os livros ocupam as praças e o chimarrão acompanha todas as conversas
Poucos lugares no Brasil conseguem reunir título oficial de capital cultural por lei federal, qualidade de vida superior à média nacional e tradição gaúcha preservada em um só território. O norte do Rio Grande do Sul entrega tudo isso a três horas da capital.
Você precisa caminhar pelas letras gigantes da Praça Marechal Floriano e entender por que essa cidade gaúcha virou referência cultural no Sul do Brasil.











