A prévia da inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15), subiu 0,41% em junho, mas ficou abaixo das expectativas e, segundo analistas, a desaceleração em componentes mais persistentes foi considerada positiva.
O resultado impulsionou as ações cíclicas — mais sensíveis ao ciclo econômico local — da Bolsa e pressionou os juros futuros para baixo. Com a nova alta, no entanto, o IPCA-15 acumula um avanço de 4,80% em 12 meses, acima do teto da meta do Banco Central.
Entre as empresas que se beneficiam após a divulgação nesta quinta-feira (25) estão: Yduqs (+2,96%), Cogna (+1,32%), MRV (+1%), Cyrela (0,49%), Vivara (+0,97%), Azzas (+1,61%) e Natura (+1,54%). Enquanto isso, o Ibovespa sobe 0,95%, aos 172.126 pontos.
Em comentário enviado ao Monitor do Mercado, o gerente de investimentos da Eleva Invest, Gabriel Foglieni, observa que o resultado ainda exige cautela. “Ainda que haja um alívio pontual com o índice abaixo da projeção, o avanço em 12 meses limita uma reação mais otimista. Enquanto a inflação continuar rodando perto de 5%, fica mais difícil sustentar uma expectativa de cortes mais agressivos da Selic”.
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Alimentação e energia lideraram altas do IPCA-15
Os grupos Alimentação e bebidas e Habitação responderam por cerca de dois terços da inflação de junho. Entre os impactos que pressionaram a alta apareceram a energia elétrica residencial, a batata-inglesa, o tomate, as passagens aéreas e produtos de higiene pessoal.
Do lado das quedas, os maiores alívios vieram da gasolina, do etanol, do seguro de veículos, do café moído e das frutas.
Para os analistas, a melhora na qualidade da inflação foi suficiente para favorecer ativos ligados à economia doméstica nesta sessão, mesmo com o índice acumulado em 12 meses permanecendo acima da meta perseguida pelo Banco Central.
O que agradou o mercado
Embora a inflação siga elevada, economistas afirmam que a composição do IPCA-15 foi mais favorável do que o número cheio indica. A economista Mariana Rodrigues, da SulAmérica Investimentos, afirmou que o resultado reforça a discussão de que a inflação pode ter atingido seu pico em 2026.
Segundo a economista, a surpresa positiva veio principalmente dos preços de serviços e dos bens industriais. Ela ressalta, no entanto, que o alívio em serviços ficou concentrado em alguns itens específicos, recomendando cautela na interpretação.
Ainda assim, Mariana avalia que houve uma moderação dos chamados núcleos de inflação, indicadores que excluem preços mais voláteis para medir a tendência inflacionária.
Na mesma linha, o Bradesco destacou que o dado veio melhor qualitativamente, sobretudo na leitura de serviços. Excluindo passagens aéreas e educação, o banco calcula que os serviços ficaram praticamente estáveis na variação trimestral anualizada, em 5,4%.
O banco também observou desaceleração da média dos núcleos de inflação, que passou de 0,49% em maio para 0,34% em junho.
Núcleos da inflação seguem no radar
Os chamados núcleos da inflação são acompanhados de perto pelo Banco Central porque ajudam a identificar se a alta dos preços está disseminada pela economia ou concentrada em fatores temporários.
Segundo Leonardo Costa, economista do ASA, o núcleo de serviços apresentou a leitura mensal mais fraca do ano, enquanto a média móvel de três meses desacelerou para 5,4%. Por outro lado, ainda há pressão nos bens industriais, reflexo de efeitos secundários da alta anterior do petróleo.
Já a equipe do Departamento de Pesquisa Econômica do Banco Daycoval aponta que, apesar de o resultado cheio ter vindo acima da projeção da instituição, a composição foi mais favorável e com os serviços subjacentes seguindo em desaceleração.











