As ações da Braskem (BRKM5) lideram as perdas do Ibovespa nesta quinta-feira (25) após a companhia divulgar detalhes das negociações com credores sobre uma possível reorganização de sua estrutura de capital e confirmar que ainda não houve acordo entre as partes.
O mercado reagiu também ao pedido de tutela de urgência cautelar protocolado pela petroquímica, medida que antecede um eventual processo de recuperação extrajudicial ou judicial.
Pela manhã, os papéis preferenciais da companhia chegaram a cair mais de 12% na mínima intradiária, negociados a R$ 6,53. A forte oscilação levou as ações a entrarem em leilão duas vezes, mecanismo utilizado pela B3 para interromper temporariamente as negociações quando há variações bruscas de preço.
Com o recuo, as ações preferenciais da Braskem passaram a acumular perda de cerca de 14% em 2026. Apenas em junho, a desvalorização já alcança aproximadamente 35%, devolvendo os ganhos registrados até maio, quando os papéis haviam sido beneficiados pela alta dos preços do petróleo em meio às tensões no Oriente Médio.
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Credores rejeitam proposta da Braskem e tutela aumenta preocupação do mercado
Mais cedo, a Braskem informou via fato relevante que tornou públicos documentos que haviam sido compartilhados com detentores de notas seniores e debêntures, no contexto das negociações para reestruturar sua estrutura de capital.
Segundo a companhia, foram trocadas propostas entre a empresa e os credores ao longo de junho, incluindo uma reunião presencial no dia 11. No entanto, a Braskem afirmou que considerou “inaceitáveis” os termos apresentados pelos investidores e informou que não houve consenso sobre a proposta.
O plano, chamado internamente de Projeto Catalyst, também foi rejeitado pelos credores, que classificaram as condições apresentadas pela petroquímica como “totalmente insatisfatórias”.
Além do impasse nas negociações, a petroquímica protocolou um pedido de tutela de urgência cautelar. Na prática, esse instrumento busca proteger a empresa contra cobranças, bloqueios de bens, penhoras e execuções de dívidas enquanto negocia uma solução com os credores.
Para investidores, a medida elevou a percepção de risco de que a companhia possa recorrer posteriormente a uma recuperação extrajudicial ou até mesmo judicial, pressionando as ações.
O que previa a proposta
A proposta divulgada pela companhia previa uma recuperação extrajudicial, sem redução do valor principal das dívidas e sem conversão dos débitos em ações.
Entre as medidas estavam:
- prorrogação dos vencimentos das dívidas em cinco anos;
- possibilidade de pagamento de juros por meio da emissão de novos títulos (PIK), em vez de desembolso em dinheiro, entre julho de 2026 e dezembro de 2028;
- redução de 2 pontos percentuais nas taxas de juros dos instrumentos financeiros;
- criação de uma linha de cartas de crédito de até US$ 1,5 bilhão.
A Braskem ressaltou que nenhuma das propostas foi aceita e que as projeções financeiras divulgadas durante as negociações não devem ser interpretadas como guidance, termo usado pelo mercado para indicar projeções oficiais da companhia sobre seu desempenho futuro.











