O bitcoin (BTC) não deve romper a marca de US$ 100 mil em 2026, segundo o relatório State of Crypto divulgado pela gestora de ativos digitais 21Shares, que projeta as expectativas para o segundo semestre. Nas últimas semanas, a criptomoeda voltou a despencar após atingir os US$ 73 mil no início de junho.
Na avaliação dos pesquisadores Eliezer Ndinga, Adrian Fritz, Stephen Coltman, Karim Abdelmawla, Maximiliian Michielsen e Matt Mena, o movimento representa uma mudança nas expectativas para a principal criptomoeda do mercado e reflete a visão de que o atual ciclo está sendo influenciado por fatores macroeconômicos e por um ambiente de maior maturidade do setor.
A análise indica que o comportamento do bitcoin passou a depender mais das condições de liquidez global, da política monetária e do fluxo institucional do que dos ciclos históricos observados após os eventos de halving, quando a recompensa pela mineração da criptomoeda é reduzida pela metade.
“Após seis meses, o cenário é mais complexo do que antecipávamos. Algumas previsões se concretizaram antes do esperado e os mercados de previsão quase superaram a meta de volume anual que havíamos indicado. Já a consolidação das soluções de escalabilidade no Ethereum está ocorrendo como prevíamos”, afirmaram.
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Além disso, segundo eles, “as commodities tokenizadas estão ganhando relevância, com ouro e energia no centro das estratégias de proteção contra riscos geopolíticos, e os mercados pré-IPO estão avançando rumo ao mainstream, à medida que uma importante lista de empresas se forma — de SpaceX a Anthropic”.
Novo ciclo do bitcoin muda projeções
Segundo a 21Shares, o mercado de criptomoedas entrou em uma fase diferente das anteriores. A maior participação de investidores institucionais e o crescimento de produtos regulados, como fundos negociados em bolsa (ETFs), alteraram a dinâmica de oferta e demanda do ativo.
Na avaliação da gestora, esse novo ambiente reduz a probabilidade de movimentos acelerados de valorização observados em ciclos anteriores, levando à expectativa de que o bitcoin permaneça abaixo do patamar de US$ 100 mil ao longo de 2026.
Cenário macroeconômico ganha peso
O relatório também destaca que decisões dos principais bancos centrais, especialmente do Federal Reserve (Fed), continuam sendo um dos principais fatores para o desempenho dos ativos de risco.
Juros elevados por mais tempo tendem a reduzir a liquidez disponível para investimentos considerados mais arriscados, como as criptomoedas. Por outro lado, uma eventual flexibilização da política monetária pode favorecer o mercado, mas, segundo a 21Shares, esse movimento não seria suficiente, neste momento, para levar o bitcoin acima de US$ 100 mil.
Mercado de criptomoedas segue em transformação
A gestora afirma que o mercado continua em processo de consolidação, com maior participação de investidores institucionais, evolução da regulação em diferentes países e expansão da infraestrutura para negociação de ativos digitais.
Nesse contexto, a expectativa é de um comportamento mais alinhado aos fundamentos econômicos e financeiros, reduzindo a influência dos ciclos históricos que marcaram os primeiros anos do bitcoin.











