A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,6% no trimestre encerrado em maio, o menor nível para o período desde o início da série histórica da PNAD Contínua, em 2012. Apesar do resultado, economistas avaliam que o mercado de trabalho começa a mostrar sinais de desaceleração, com perda de ritmo na geração de empregos e nos salários.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa permaneceu estável em relação ao trimestre anterior e recuou 0,6 ponto percentual na comparação com o mesmo período de 2025, quando estava em 6,2%.
Para Leonardo Costa, economista do ASA, o mercado de trabalho segue em nível elevado, mas a deterioração esperada para os próximos meses deve ocorrer de forma gradual.
“O mercado de trabalho segue firme, com estabilidade na margem em nível elevado. A piora observada até aqui é bastante modesta e gradual, e nossa expectativa é de deterioração adicional ao longo do ano, também de forma lenta e progressiva”, afirmou após a divulgação desta sexta-feira (26).
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Bancos veem economia perdendo ritmo
Na avaliação do Bradesco, o mercado de trabalho continua sendo o principal fator de sustentação da economia brasileira, mas os dados de maio indicam redução desse impulso.
O banco destaca que, com ajuste sazonal — método estatístico que elimina efeitos típicos de determinadas épocas do ano —, a taxa de desemprego permaneceu praticamente estável em 5,5%. Além disso, o rendimento médio real recuou 0,6% na comparação mensal, registrando a primeira queda desde setembro de 2024.
Segundo o Bradesco, os salários dos trabalhadores sem carteira assinada tiveram queda de 2,6% no período, enquanto o crescimento da renda na comparação anual desacelerou para 3,9%, ante 5% na leitura anterior.
Para a instituição, o segundo trimestre deve apresentar crescimento econômico menor do que o observado no início do ano, embora o crédito continue sustentando parte do consumo das famílias.
O Itaú Unibanco também avalia que o mercado de trabalho permanece aquecido, mas começa a apresentar sinais de moderação.
De acordo com as economistas Natalia Cotarelli e Marina Garrido, a composição dos dados mostrou um desempenho mais fraco do emprego formal, enquanto o avanço da ocupação informal ajudou a evitar uma alta maior da taxa de desemprego.
O banco também destacou que os salários reais efetivos registraram a primeira queda desde agosto de 2025, resultado abaixo das projeções da instituição.
A expectativa do Itaú é que a taxa de desemprego encerre 2026 em torno de 5,7%, indicando estabilidade, mas sem uma deterioração acentuada do mercado de trabalho.
Menor desemprego para maio da série histórica
Segundo o IBGE, cerca de 6,1 milhões de pessoas estavam desocupadas no trimestre encerrado em maio, enquanto o número de ocupados chegou a 102,7 milhões, alta de 0,5% frente ao trimestre anterior.
O analista da pesquisa, William Kratochwill, explicou que a estabilidade da taxa de desemprego é influenciada por fatores sazonais, mas o menor resultado da série para o mês de maio indica que o mercado continua absorvendo trabalhadores.
“O mercado mantém uma tendência estrutural de aquecimento e expansão na absorção de mão de obra”, afirmou.
A pesquisa também mostrou redução da taxa composta de subutilização da força de trabalho para 13,3%, menor nível desde o início da série histórica, além de queda da população desalentada — pessoas que desistiram de procurar emprego — para 2,4 milhões.
A taxa de informalidade permaneceu praticamente estável em 37,3% da população ocupada, equivalente a 38,3 milhões de trabalhadores.











