O Plano Safra 2026/27 destinará R$ 525,1 bilhões em financiamentos para médios e grandes produtores rurais, alta de 1,7% na comparação com o ciclo anterior, revelou o governo federal nesta terça-feira (30). Neste ano, o programa reduziu as taxas de juros em praticamente todas as linhas de crédito.
Segundo o Ministério da Agricultura, o novo Plano Safra destinará R$ 384,9 bilhões para custeio e comercialização e R$ 140,2 bilhões para investimentos. As taxas de juros variam entre 8% e 12,5% ao ano, ante um intervalo de 8,5% a 14% na temporada passada.
Apesar da redução dos juros no programa, o mercado avalia que o custo do financiamento ainda exige cautela diante da Selic em 14,25% ao ano.
Crédito rural exige planejamento financeiro
Para o CEO da Plantae Agrocrédito, Wolney Arruda, a redução dos juros melhora as condições de financiamento, mas não elimina a necessidade de planejamento financeiro por parte dos produtores.
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“O produtor vive um paradoxo. Ele precisa de crédito para manter a atividade e financiar a próxima safra, mas muitas vezes já carrega obrigações relevantes contratadas em ciclos anteriores. Ao mesmo tempo, as instituições financeiras precisam encontrar mecanismos para financiar o novo ciclo sem ignorar esse passivo”, afirma.
Segundo Arruda, a expectativa de cortes graduais da taxa Selic ao longo do segundo semestre pode aliviar parte da pressão sobre o crédito, mas o custo financeiro ainda influencia as decisões de investimento no campo.
“A principal palavra neste momento é disciplina. O crédito precisa estar conectado à capacidade de geração de receita da fazenda. O produtor precisa olhar para fluxo de caixa, custo de produção e capacidade de pagamento antes de assumir novas obrigações”, acrescenta.
Plano Safra terá juros menores e mais recursos para investimento
Entre as principais mudanças do Plano Safra está a redução das taxas de juros das linhas de custeio e investimento. No custeio empresarial, por exemplo, a taxa caiu de 14% para 12,5% ao ano.
O governo também ampliou os recursos destinados aos investimentos, que passaram de R$ 101,5 bilhões para R$ 140,2 bilhões, crescimento de 38%. Já os financiamentos para custeio e comercialização recuaram 7,2%, para R$ 384,9 bilhões.
O Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) contará com R$ 72,6 bilhões em recursos, alta de 5% em relação ao ciclo anterior. Os juros para essa linha foram reduzidos de 10% para 9% ao ano.
Incentivos ambientais e gestão de riscos
O Plano Safra mantém descontos de até um ponto percentual nos juros para produtores que possuam Cadastro Ambiental Rural (CAR) regular e adotem práticas sustentáveis.
Outra mudança prevê que a renegociação de operações de custeio agrícola ficará vinculada à contratação de cobertura pelo Proagro ou seguro rural, medida que busca ampliar o uso de instrumentos de gestão de risco.
Na área de investimentos, o programa continuará permitindo financiamentos para projetos de geração de energia renovável, como sistemas solares, biomassa e energia eólica, além da construção, ampliação e modernização de armazéns por meio do Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA).











