O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) caiu 0,79% em junho, revertendo a alta de 0,87% registrada em maio e registrando resultado mais baixo do que o esperado pelo mercado. Para analistas, porém, a possibilidade de novas tarifas comerciais dos Estados Unidos pode devolver pressão aos preços.
Divulgado nesta terça-feira (7) pela Fundação Getulio Vargas (FGV), o índice acumula alta de 3% no ano e de 3,59% em 12 meses. A mediana das projeções do mercado apontava queda de 0,60%.
A principal influência para o resultado veio do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-DI), que mede os preços no atacado e recuou 1,36%, refletindo a queda das commodities minerais, energéticas e agrícolas, como minério de ferro, óleo diesel e café.
Segundo especialistas, essa redução nos custos da cadeia produtiva pode aliviar temporariamente as despesas das empresas, mas o cenário internacional continua sendo um fator de risco.
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Tarifas dos EUA podem mudar trajetória do IGP-DI
Na avaliação de Peterson Rizzo, head de Relações com Investidores da Multiplike, a queda do índice não representa uma desinflação disseminada na economia brasileira.
“O IGP-DI respondeu principalmente ao recuo das commodities, mas continua muito sensível ao comportamento do dólar. Uma escalada tarifária nos Estados Unidos pode pressionar o câmbio e reverter rapidamente parte desse movimento no atacado”, afirma.
O IGP-DI possui peso elevado dos preços no atacado, muitos deles ligados a commodities negociadas em dólar. Por isso, tende a reagir antes do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) às oscilações do mercado internacional.
Na mesma linha, Cassio Viana de Jesus, diretor de Investimentos e Negócios da Pilar Capital, afirma que uma eventual intensificação das tarifas defendidas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode fortalecer a moeda americana e alterar rapidamente o comportamento do índice.
“Uma escalada tarifária que fortaleça o dólar pode fazer o mesmo IPA que hoje derruba o índice voltar a subir rapidamente”, diz.
Deflação reduz custos para empresas
Para Alberto Friggi, CEO da Friggi & Secco, a queda do IGP-DI representa um alívio para empresas ao reduzir custos de reposição de estoques e melhorar a previsibilidade financeira.
Segundo ele, o momento pode favorecer operações de reestruturação de dívidas, permitindo substituir passivos de curto prazo por financiamentos de prazo mais longo. Apesar disso, especialistas alertam que o cenário ainda depende da evolução do ambiente internacional, especialmente das decisões comerciais dos EUA.
O que puxou o IGP-DI para baixo
Segundo o economista do FGV/Ibre, Matheus Dias, todos os componentes do IGP-DI registraram taxas de variação inferiores às observadas em maio, com destaque para:
- IPA-DI (atacado): caiu 1,36%, puxado por commodities minerais, agrícolas e combustíveis;
- IPC-DI (consumidor): subiu 0,36%, desacelerando frente aos 0,60% de maio;
- INCC-DI (construção): avançou 0,78%, após alta de 0,88% no mês anterior.
“Os preços ao consumidor avançaram, embora em ritmo menos intenso do que no mês anterior, refletindo a desaceleração dos grupos Alimentação e Habitação, que representam, em conjunto, 40% do IPC. Já os custos da construção também perderam força em junho, em decorrência da desaceleração dos preços de materiais, equipamentos e serviços”, completou Dias.











