Os preços do petróleo voltaram a subir nesta terça-feira (8), em meio a uma nova escalada nas tensões entre Estados Unidos e Irã. Às 13h50 (horário de Brasília), tanto o tipo Brent como o WTI operam em alta de mais de 5%, negociados a US$ 78 e US$ 74 por barril, respectivamente.
A disparada acontece após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que o cessar-fogo com o Irã “acabou”, ao mesmo tempo em que ampliou ataques. Ontem (7), o governo norte-americano já havia realizado uma série de ataques em resposta a supostos ataques iranianos no Estreito de Ormuz.
A StoneX avalia que, mesmo com o avanço de um cessar-fogo, o mercado de petróleo deve permanecer em déficit durante o terceiro trimestre de 2026 e que o equilíbrio entre oferta e demanda só deve ser restabelecido entre o fim de 2026 e o início de 2027 — em caso de normalização.
Fatores como uma recuperação lenta da oferta mundial, estoques reduzidos e retomada gradual da demanda asiática são apontados como responsáveis por manter o mercado apertado nos próximos meses, de acordo com relatório trimestral nesta segunda-feira (7).
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Produção da Opep caiu cerca de 10 milhões de barris por dia
Dados da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) mostram que a produção conjunta do grupo caiu aproximadamente 10 milhões de barris por dia entre fevereiro e maio. A redução foi provocada principalmente por dificuldades logísticas enfrentadas pelos produtores do Golfo Pérsico.
O tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz, que normalmente registra cerca de 45 travessias diárias, permaneceu próximo de apenas duas passagens por dia.
Para reduzir os impactos da crise, os EUA ampliaram suas exportações de petróleo e derivados para 12,8 milhões de barris por dia entre abril e junho, utilizando parte de seus estoques estratégicos, que atingiram o menor nível desde 1983.
Brasil, Canadá, Guiana, Cazaquistão e China também aumentaram sua participação no abastecimento mundial, mas o avanço desses produtores não compensou integralmente as perdas da região do Golfo.
Bruno Cordeiro Santos, especialista de Inteligência de Mercado da StoneX, explica que o mercado encontrou alternativas de suprimento, mas elas foram “incapazes de substituir completamente os volumes perdidos na região do Golfo”, diminuindo as reservas ao redor do mundo.
Oferta e demanda devem crescer gradualmente
De acordo com projeções do Departamento de Energia dos EUA (DOE), a produção conjunta da Opep-12 e dos Emirados Árabes Unidos, que caiu para 19,4 milhões de barris por dia em maio, deverá retornar para cerca de 29 milhões apenas no quarto trimestre deste ano.
A recuperação total dos níveis anteriores ao conflito é esperada somente para 2027. Para Cordeiro, o processo deve ser lento devido às limitações logísticas e à cautela das empresas de transporte marítimo.
Do lado da demanda, a StoneX prevê retomada gradual do consumo mundial. A expectativa é de recuperação das atividades das refinarias chinesas e manutenção do consumo elevado nos EUA, fatores que devem impulsionar novamente a procura por petróleo.
Segundo o relatório, a flexibilização recente de algumas sanções relacionadas ao petróleo iraniano também pode favorecer o crescimento da demanda asiática.
Impactos para o Brasil
Para o Brasil, um petróleo mais caro pode favorecer empresas ligadas à produção. Em contrapartida, combustíveis mais caros pressionam a inflação, dificultam a queda dos juros e podem fortalecer o dólar frente ao real.
Segundo Peterson Rizzo, head de Relações com Investidores da Multiplike, mesmo sendo produtor, o Brasil não fica imune, porque o preço interno acompanha a referência internacional e o combustível pesa tanto no orçamento das famílias quanto nos índices de inflação.











