O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,16% em junho, abaixo da expectativa do mercado, que projetava alta próxima de 0,31%. O resultado divulgado nesta sexta-feira (10) ficou 0,42 ponto percentual abaixo da variação de maio (0,58%) e reforçou a percepção de desaceleração da inflação no curto prazo.
Com o resultado, o IPCA acumula alta de 3,36% em 2026 e de 4,64% em 12 meses, ainda acima do teto da meta de inflação perseguida pelo Banco Central, de 4,5%.
A principal contribuição para a desaceleração veio do grupo Alimentação e bebidas, que registrou deflação de 0,24%. Deflação significa queda média dos preços. Também houve recuo nos combustíveis, enquanto itens ligados à habitação seguiram pressionando o índice.
Alimentos puxam desaceleração do IPCA
A alimentação no domicílio caiu 0,39% em junho, após alta de 1,65% em maio. Entre os produtos que mais contribuíram para o recuo estão:
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- café moído (-3,72%);
- frutas (-1,58%);
- carnes (-0,64%).
Na direção contrária, feijão-carioca (8,31%) e batata-inglesa (3,57%) registraram alta. A alimentação fora do domicílio também perdeu força, com avanço de apenas 0,15%, após alta de 0,49% em maio.
Para Leonardo Costa, economista do ASA, a surpresa não ficou restrita aos alimentos. Segundo ele, a inflação subjacente (exclui itens mais voláteis) mostrou melhora relevante. A média dos núcleos registrou a menor variação mensal desde setembro de 2025, enquanto os serviços de alimentação perderam força.
O economista avalia que o comportamento dos alimentos e a dissipação dos impactos do choque anterior do petróleo devem manter a inflação mais fraca no curto prazo. Ainda assim, destaca que as medidas de tendência permanecem acima do nível compatível com a meta de inflação.
Energia elétrica limita queda da inflação
Apesar da desaceleração da inflação, o grupo Habitação registrou a maior pressão sobre o IPCA ao subir 0,63%.
O principal responsável foi a energia elétrica residencial, que avançou 1,53%, refletindo a manutenção da bandeira tarifária amarela e reajustes autorizados em distribuidoras de cidades como Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.
As passagens aéreas também pressionaram o índice, com alta de 7,12%, enquanto os combustíveis recuaram 0,48%, influenciados pela queda do etanol, diesel e gasolina.
Mercado reforça expectativa para a Selic após IPCA
Na avaliação dos especialistas, o resultado amplia a possibilidade de um novo corte da taxa Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), mas não altera completamente o cenário para o Banco Central.
Costa afirma que o IPCA representa um alívio moderado para a autoridade monetária, porém insuficiente para mudar seu diagnóstico, já que a inflação segue acima do teto da meta, as expectativas continuam elevadas e a atividade econômica permanece resistente.
Na mesma linha, André Matos, CEO da MA7 Negócios, afirma que o dado fortalece a expectativa de redução de 0,25 ponto percentual na Selic em agosto, mas ressalta que o Banco Central deverá aguardar os desdobramentos do cenário internacional antes de avançar no ciclo de cortes.
Petróleo volta a concentrar atenção
Embora o resultado tenha reduzido parte das preocupações com a inflação doméstica, o mercado avalia que o principal risco agora está no exterior. Para Cassio Viana, diretor da Pilar Capital, o IPCA ainda não incorporou os efeitos da recente alta do petróleo após o aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã.
Caso os preços internacionais da commodity permaneçam elevados, o impacto poderá aparecer nos próximos meses por meio dos combustíveis, fretes, custos de produção e câmbio.
Para Gustavo Assis, CEO da Asset, “o petróleo representa um risco adicional, mas ainda não substitui a preocupação principal do Banco Central, que continua concentrada na inflação de serviços e nas expectativas para os próximos anos”.











