Em meio à volatilidade que derruba o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, há quatro meses, o ASA avalia que o mercado deve continuar priorizando empresas maduras e boas pagadoras de dividendos enquanto os juros reais permanecerem elevados.
Para a instituição, setores com contratos de longo prazo, baixo endividamento e distribuição consistente de proventos tendem a se destacar. “Se a gente tiver continuidade da política econômica atual, eu acho que as empresas melhores serão as pagadoras de dividendos mais estáveis”, afirmou.
Em coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (14), especialistas do ASA compartilharam a visão da instituição para o segundo semestre. Questionado pelo Monitor do Mercado sobre a resiliência de setores como bancos, infraestrutura e utilities em momentos de incerteza, Rogério Freitas, head de investimentos do ASA, afirmou que a preferência do mercado deve permanecer nas empresas com dividendos estáveis.
Freitas explicou que, na Bolsa americana, os preços acompanham o crescimento dos lucros das empresas, enquanto no Brasil o crescimento de lucros é dificultado pelo custo de oportunidade elevado, gerado pela taxa de juros real de 10%.
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Comprometimento fiscal pode levar Ibovespa aos 300 mil pontos
Desde o pico próximo de 200 mil pontos, o Ibovespa despencou e opera nesta terça na faixa dos 175 mil pontos. Para Freitas, o comprometimento fiscal do próximo governo ainda pode levar o índice aos 300 mil pontos em um horizonte de 12 a 18 meses após as eleições de 2026, mantendo a projeção de dezembro.
Para ele, se o próximo governo for fiscalmente responsável, os juros reais podem recuar dos atuais 10% para 4%, o que valorizaria as ações brasileiras.
Caso a política econômica atual de aumento de gastos e carga tributária continue, o ASA prevê que os ativos de risco, como a Bolsa, terão desempenho inferior. Nesse caso, o dólar seria o principal ativo de defesa para os investidores.
Brasileiro tem outras preocupações antes das eleições
Segundo Freitas, a eleição de 2026 será extremamente polarizada e decidida por uma margem mínima. O especialista aponta que cerca de 3% da população atuará como os “swing voters” (eleitores voláteis que mudam de posição conforme o descontentamento com o governo atual), definindo o próximo presidente.
O head de investimentos do ASA destaca que esses eleitores ainda não estão focados na disputa política. Para ele, o brasileiro médio está preocupado com questões imediatas de sobrevivência.
“Esses 3% geralmente costumam tomar decisão poucas semanas antes, e hoje eles não estão preocupados com a eleição, mas sim em pagar conta, trabalhar, pagar mensalidade do colégio do filho, em segurança e em sobreviver”, disse.
ASA descarta bolha tecnológica
No cenário internacional, o ASA descarta a existência de uma “bolha” tecnológica, pois as empresas de tecnologia estão entregando lucros sólidos que sustentam suas valorizações, explica Charles Ferraz, head global de investimentos do ASA.
O especialista ressaltou que os investimentos em infraestrutura de IA, o Capex (investimento em bens de capital), devem atingir US$ 800 bilhões este ano e podem chegar a US$ 1,4 trilhão em 2028. Para Ferraz, esse volume de recursos “irrigará o sistema econômico como um todo”, beneficiando setores que vão além da tecnologia, como energia e infraestrutura básica.
Para proteger o patrimônio, a instituição tem aumentado a exposição em ativos reais e títulos atrelados à inflação, como ouro, commodities, e também as NTN-Bs, que ajudam a preservar o poder de compra das famílias contra o “imposto inflacionário” gerado pelos estímulos governamentais.











